
PCP diz que Governo quer "apertar a vida dos mais pobres"
“Coragem para enfrentar os poderosos não há. Há coragem para apertar a vida dos mais pobres”, afirmou o líder comunista, no discurso com que encerrou a XI Assembleia da Organização Regional de Évora, realizada em Portel, neste distrito alentejano.
Raimundo defendeu que o Governo não pode justificar a PSU com o combate à fraude, alegando que, “se estivesse mesmo interessado em combater a fraude, combatia os milhares de milhões de euros que vão para os paraísos fiscais e que saem fora dos impostos”.
Em sentido inverso, na opinião do dirigente do PCP, o atual Governo “é cúmplice da fuga de impostos, do assalto aos recursos públicos, da transferência dos recursos públicos para tudo o que é negócio”, como nas áreas da saúde e habitação.
O Governo aprovou, na sexta-feira, a PSU, que consolidará 13 apoios sociais não contributivos e cujos beneficiários poderão ter de fazer até 15 horas de trabalho social por semana, estando previsto que percam a prestação em caso de incumprimento.
No seu discurso, o secretário-geral comunista referiu que o partido pretende aproveitar este debate sobre o tema para “levar o mais longe possível a discussão sobre a realidade” atual dos apoios e subsídios da Segurança Social.
“Quais os valores reais? Quem recebe? Por que recebe? É uma discussão que vale a pena”, salientando, frisando que, se for feita “na base da verdade e da realidade”, haverá “muita demagogia, mentira e ódio que vai desaparecer e cair por terra”.
O líder do PCP quer com a discussão mostrar “a incompreensível situação das 300 mil crianças na pobreza” ou dos “500 mil trabalhadores que trabalham todos os dias, recebem salários todos os meses e não conseguem sair da situação de pobreza”.
“Vamos para esta discussão também para que se encontre a resposta à pergunta: Quantos pobres foram necessários para que, no ano passado, tivessem nascido novos 1.754 super-ricos”, prosseguiu.
Numa intervenção de mais de 30 minutos, Paulo Raimundo reiterou as críticas ao pacote laboral e apelou à participação na greve geral marcada para quarta-feira.
“Acusam os trabalhadores, e já agora o partido dos trabalhadores, o nosso partido, de quererem que fique tudo na mesma. Dizem eles que somos todos imobilistas, queremos que fique tudo tal e qual como está”, realçou.
O dirigente do PCP contrapôs que, “se há alguém que sabe, que sente, que vive e tem a urgência e a necessidade de mudança e de rutura são os trabalhadores”, defendendo que “é preciso caminhar por uma mais justa distribuição da riqueza que é criada”.
E concluiu: “Queremos avançar para melhorar a vida de quem trabalha e eles querem pôr a vida de quem trabalha ainda mais para trás. Somos imobilistas e eles são uma cambada de reacionaristas, que querem por a vida dos milhares de trabalhadores a andar para trás”.







