
Ventura insiste na reforma aos 65 anos e PSD acusa-o de querer acabar com o futuro dos jovens
No debate desta tarde em plenário, no Parlamento, uma interpelação ao Governo, agendada pelo PCP, sobre o pacote laboral, o presidente do Chega, André Ventura, interveio para defender que a revisão do Código do Trabalho proposta pelo Governo, ao contrário do que tinha alegado o PSD durante o debate, não aumentará os salários, nem os dias de férias.
Numa resposta ao bloquista Fabian Figueiredo, Ventura insistiu que a proposta do Chega, na negociação do pacote laboral, passa pela descida da idade da reforma para os 65 anos ou 40 anos de descontos, recordando que o país voltou hoje a ver aumentar a idade da reforma para 66 anos e 11 meses.
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, recordou que o PS, quando governava com maioria absoluta, fez aprovar a Agenda do Trabalho Digno e pediu aos socialistas que, agora, não aceitem a vontade do povo “só quando lhe convém” e reconheçam a legitimidade do executivo de apresentar a revisão do Código do Trabalho.
O líder da bancada social-democrata pediu a André Ventura que diga aos jovens que “não iam ter reforma nem pensão” caso a sua proposta fosse implementada e acusou o líder do Chega de querer acabar com o seu futuro.
“O senhor só fala dos jovens para bater com a mão no peito, mas o senhor quer acabar com o futuro deles. A sua proposta é contra a juventude portuguesa. O senhor é contra os jovens de Portugal. O senhor não quer saber deles. O senhor é populista e só quer saber do populismo”, criticou.
Hugo Soares defendeu que o Chega tem e mãos uma “decisão muito simples”: “Ou continua a ser mais socialista do que os próprios socialistas ou o Chega defende a legislação laboral da geringonça, ou o Chega é mais geringonça que a extrema-esquerda, ou então vem a jogo”.
“Negocie de forma séria e vamos dar a Portugal a legislação laboral que Portugal merece”, pediu.
À esquerda, o porta-voz do Livre, Rui Tavares, acusou Hugo Soares de “muita gritaria para mascarar a extrema distância deste pacote laboral em relação ao sentido do país, dos trabalhadores”.
“Se este não faz sentido estratégico para a nossa economia, faz sentido tático zero para um governo minoritário que perde na concertação e que é derrotado, aqui no Parlamento tem uma derrota anunciada”, atirou.
Durante o debate, o deputado único do JPP, Filipe Sousa, alertou para retrocessos nos direitos das mães trabalhadoras e argumentou que a modernização da lei laboral não pode significar flexibilização do lado de quem trabalha, enquanto a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, lamentou a ausência da ministra do Trabalho e defendeu que o Parlamento deve ambicionar uma alteração da lei laboral mais humanista.
O deputado da IL Carlos Guimarães Pinto comparou o salário do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, com o de uma grande empresa internacional para afirmar que o líder comunista recebe menos do que um trabalhador em início de carreira nessa mesma empresa.







