
Coimbra entrega a chave da cidade à ministra do Ambiente
No discurso que proferiu no final da sessão solene, Ana Abrunhosa lembrou que o executivo socialista que lidera tomou posse há oito meses, e não falhou no trabalho realizado em resposta àqueles eventos meteorológicos.
“Nestes oito meses, o céu testou-nos com tempestades e o rio testou-nos com cheias. Podíamos ter falhado. Não falhámos porque lutámos juntos: o povo de Coimbra, os autarcas, a proteção civil, as nossas famílias, e as nossas empresas, que defenderam a cidade num gesto exemplar de cidadania ativa”, argumentou a presidente do município.
Nesse esforço, continuou, a Câmara de Coimbra contou “com todo o apoio do Governo de Portugal”, saudado por Ana Abrunhosa na pessoa da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, “a quem os conimbricenses agradecem, de forma justa e solene, com a entrega da Chave da Cidade”, alegou.
Na apresentação da homenageada, Ana Abrunhosa disse que “há momentos em que o Estado tem de ter um rosto” e que esse rosto foi o da ministra do Ambiente que, durante as cheias, “esteve presente, voltou sempre e acompanhou”, referiu.
“Não conhecemos melhor definição de serviço público”, vincou Ana Abrunhosa.
Já Maria da Graça Carvalho disse aceitar com “muita humildade” o galardão – a mais alta distinção honorífica de Coimbra, que concede o título de cidadã honorária – encarando-a “sobretudo como um reconhecimento da cooperação que foi possível estabelecer” entre a tutela do Ambiente e o município de Coimbra “em particular no contexto das graves tempestades registadas nos primeiros meses deste ano”.
A governante estendeu o destaque da cooperação, no Baixo Mondego, aos municípios de Montemor-o-Velho e Soure, à comunidade intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, às associações representativas dos agricultores e aos industriais do setor agrícola.
“Nada do que fizemos ficou a dever-se ao mérito de uma só pessoa”, destacou a ministra, fosse na prevenção para antecipar a ocorrência de cheias ou na “rápida resposta às suas consequências, nomeadamente na reparação dos diques do Mondego”.
“A chave de ouro foi precisamente esta capacidade de trabalhar em conjunto”, aduziu Maria da Graça Carvalho, argumentando que o Governo se limitou “a fazer o que tinha de ser feito, no tempo certo”.
“E tudo isto continua a ser considerado raro no país, quando devia ser a regra”, advogou Maria da Graça Carvalho.
No seu discurso, Ana Abrunhosa – a quem foram cantados os ‘parabéns’, pelo seu aniversário coincidir com o Dia da Cidade de Coimbra - frisou ainda que o executivo municipal tirou do ‘comboio’ de tempestades “um mandato claro”, o de construir uma cidade “mais resiliente”.
A presidente do município anunciou ainda a realização, até ao final do ano, da primeira Conferência de Líderes da Região Centro, coorganizada pela Câmara Municipal, que pretende convidar os administradores executivos (CEO) das cem maiores empresas da região Centro “a sentarem-se à mesa com as instituições públicas”.
“Estes oito meses foram a prova de que a coragem existe. Os próximos anos serão a prova de que a visão também. Mais habitação, mais investimento, mais cultura, mais qualidade de vida. Uma Baixa [da cidade] viva, duas margens [do Mondego] unidas, uma região em rede, uma cidade que abraça o futuro sem largar a mão da sua história”, enfatizou Ana Abrunhosa.
Na sessão de hoje foram ainda distinguidos com a Medalha da Cidade, grau Ouro, 11 personalidades, quatro a título póstumo, entre as quais o antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio - que morreu em outubro do ano passado, em Coimbra, aos 83 anos -, a antiga presidente da Câmara Municipal de Leiria e da CCDRC, Isabel Damasceno, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, e o antigo reitor João Gabriel Silva, e o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado.







