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"Portugal perdeu um homem competente, mas nós perdemos um amigo"

Associação Cívica e Cultural José Junqueiro promoveu hoje de manhã uma conferência evocativa de homenagem à obra, percurso e legado do político viseense falecido em 2025

Apresentada oficialmente a 17 de junho, a Associação Cívica e Cultural José Junqueiro promoveu no sábado as primeiras iniciativas com o propósito de preservar e promover o legado humano, político e cultural do político viseense, que faleceu a 16 de julho de 2025 com 72 anos.
O programa incluiu uma conferência evocativa de tributo, a inauguração de uma exposição fotográfica e o lançamento do livro de homenagem “Tributo a João Junqueiro, Por um Portugal Inteiro”, com todos os momentos a decorrerem no Auditório da Universidade Católica de Viseu.
No primeiro momento, participaram na conferência de tributo José Cesário, Aires do Cou­to, António Braga, Mota Andra­de, Jorge Strecht e Alberto Martins. Pela voz de cada um ouviram-se lamentos à sua precoce partida, bem como encómios à sua personalidade. Na plateia, estavam personalidades como Adelino Azevedo Pinto, Fernan­do Ruas, Mota Faria, Maria Leitão Marques, Vital Moreira, Elza Pais, Ana Paula Santana, Francisco Carvalho e os autarcas de Penalva do Castelo e Vila Nova de Paiva, José Laires e Paulo Marques, entre outros.
A sessão foi aberta por António Braga, antigo secretário de Estado das Comunidades, que traçou o percurso de vida de José Junqueiro, primeiro como professor e académico, depois como associativista e político, num percurso “sereno, discreto e eficaz, sem necessidade de procurar holofotes”.
“Junqueiro levou todas as suas qualidades para o ministério, para a Assembleia da República e para as autarquias, e é por isso que a sua vertente docente não é para nós um mero apêndice biográfico, é talvez a chave interpretativa de toda a sua atuação política”, referiu, acrescentando que foi através do associativismo que, mais tarde, entrou na política.
“Ele sempre foi uma presença constante na vida cívica da sua cidade, Viseu, porque entendia que não havia representação sem contacto”, enfatizou, realçando a ascensão do político dentro da estrutura do partido, onde em 1986 “já era um nome consolidado e esteve sempre à altura dos desafios”. Enalteceu que José Junqueiro foi eleito, “durante mais de duas décadas”, deputado por Viseu, “ sempre chamado pelos viseenses para os representar no parlamento”.
“O PS teve em si um dos seus quadros mais competentes na área da administração pública e a sua partida foi sentida como uma perda significativa para o partido, que na nota de pesar que emitiu destacou que a sua experiência governativa ficará para sempre associada à modernização, à simplificação administrativa e à transparência”, sublinhou António Braga.

 

A importância vital da família

Às suas qualidades humanas também não foram esquecidas pelos conferencistas, unânimes nesse aspecto e no relevo que deram à sua vida familiar. O auditório aplaudiu as referências à forte e sólida ligação de José Junqueiro à sua família, nomeadamente esposa e filhos, e à importância dessa mesma retaguarda familiar para um elevado e irrepreensível desempenho das suas funções.
“Portugal perdeu um dos seus mais competentes gestores públicos, um homem que sabia que o Estado podia servir melhor os cidadãos e, paralelamente, nós perdemos um ami­go leal, frontal, delicado, sereno e diplomata, que se importava com os outros e connosco”, concluiu António Braga.
Aires do Couto falou sobre o percurso de José Junqueiro na Universidade Católica, como aluno e depois professor, realçando a sua coerência, inteligência, sagacidade e capacidade de liderança.
José Cesário recordou que o homenageado “era um homem inventivo, trabalhador e lutador”. Já Mota Andrade considerou que José Junqueiro “ajudou a criar um país diferente”, enquanto Jorge Strecht evidenciou que este tinha “uma visão estratégica, pelas suas ideias e convições, além de ser uma pessoa amável, interessada e curiosa”.
Por último, Alberto Martins descreveu José Junqueiro co­mo “um homem de honra”, dizendo-se feliz por estar “a celebrar as qualidades, a memória e o que ficou de um amigo especial, um homem qualificado e determinado que tive o gosto e a oportunidade de conhecer a nível parlamentar e político”.

Junho 27, 2026 . 14:18

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