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Gravuras rupestres de Vide em Seia em vias de classificação de âmbito nacional

Um conjunto de gravuras rupestres descobertas em 2002 em Vide, no concelho de Seia, em plena Serra do Açor, está em fase de classificação de âmbito nacional pelo Património Cultural, I.P.

A abertura do procedimento foi hoje publicada em Diário da República, num despacho datado de 22 de fevereiro de 2026 e assinado pelo presidente do Conselho Diretivo daquele instituto, João Soalheiro.

A proposta de classificação é do Departamento dos Bens Culturais e contempla “as gravuras do Carvalhinho, das Ferraduras, da Abelheira, das Fontes de Cide e da Ribeira, na serra do Açor, na União das Freguesias de Vide e Cabeça, concelho de Seia, distrito da Guarda”, lê-se no documento.

As gravuras em causa foram descobertas no verão de 2002 em afloramentos de xisto, ao longo do vale da ribeira de Alvoco e dos seus afluentes, por um grupo de arqueólogos do Centro Nacional de Arte Rupestre (CNART).

Na ocasião, António Martinho Batista, então diretor do CNART, realçou tratar-se de “exemplos de feição pré e proto-histórica nunca antes estudados nem referenciadas na bibliografia arqueológica, facto que lhes confere um acrescido valor e importância".

As representações datam dos períodos do Calcolítico, Neolítico, Bronze e Ferro, e representam círculos – por vezes ligados por canais –, figuras geométricas, algumas das quais filiformes, figuras antropomórficas, podomorfos (pés gravados em conjuntos de dois ou individuais) e motivos solares.

Os vestígios mais antigos ficam no sítio de Ferraduras, sobranceiro à Ribeira de Alvoco, e datam do Neolítico/Bronze Final, representados por covinhas, antropomorfos, motivos solares, pés gravados em conjuntos de dois ou individuais.

Datadas de entre as Idade do Bronze Final e do Ferro, as figuras de Fontes de Cide são representações de pés ‘calçados’ martelados sobre o xisto, dois antropomorfos estilizados, um feminino e outro masculino (identificado pela existência de um falo), e ainda a representação de um par de pés que se pensa serem de criança.

Em 2005, foi criado o Centro de Interpretação Arte Rupestre de Vide, na antiga escola primária da localidade, para divulgar os vários núcleos existentes nas bacias hidrográficas dos rios Alva e Ceira.

“As gravuras em causa estão em vias de classificação, de acordo com o n.º 5 do artigo 25.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro”, segundo o qual “um bem considera-se em vias de classificação a partir da notificação ou publicação do ato que determine a abertura do respetivo procedimento, no prazo máximo de 60 dias úteis após a entrada do respetivo pedido”.

O despacho do Património Cultural adianta que “as gravuras em vias de classificação e os imóveis localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos) ficam abrangidos pelas disposições legais em vigor, designadamente, os artigos 32.º, 34.º, 36.º, 37.º, 42.º, 43.º e 45.º da referida lei, e o n.º 2 do artigo 14.º e o artigo 51.º do referido decreto-lei”.

Já os elementos relevantes do processo (fundamentação, despacho e plantas com a delimitação das gravuras em vias de classificação e da respetiva zona geral de proteção - ZGP) estão disponíveis nas páginas eletrónicas do Património Cultural (www.patrimoniocultural.gov.pt), Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (www.ccdrc.pt) e Câmara Municipal de Seia (www.cm-seia.pt).

“O interessado poderá reclamar ou interpor recurso hierárquico do ato que decide a abertura do procedimento de classificação, nos termos e condições estabelecidas no Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da possibilidade de impugnação contenciosa”, é também referido na publicação do Diário da República.

Maio 28, 2026 . 18:45

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