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Irmão de Pedro Sánchez começa a ser julgado por tráfico de influências em Badajoz

Com David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, será julgado o antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) da região da Extremadura Miguel Ángel Gallardo

O irmão do primeiro-ministro de Espanha começa a ser julgado na quinta-feira por tráfico de influências com outras dez pessoas, num processo relacionado com a sua contratação pela administração da província de Badajoz.

Com David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, será julgado o antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) da região da Extremadura Miguel Ángel Gallardo.

Em causa está a suspeita de que em 2017 foi criado um posto de trabalho propositadamente para David Sánchez na administração da província de Badajoz, liderada pelos socialistas, numa altura em que Pedro Sánchez ainda não era primeiro-ministro, mas estava já à frente do PSOE.

Segundo o despacho da juíza que decidiu levar David Sánchez a julgamento, conhecido em maio do ano passado, o irmão do primeiro-ministro e os restantes dez acusados vão responder em tribunal por tráfico de influências e "prevaricação administrativa".

David Sánchez foi contratado para coordenar as "atividades dos conservatórios" da província de Badajoz e, segundo a juíza, o cargo foi criado para o irmão de Pedro Sánchez "a pedido, com certeza, de pessoa ou pessoas" próximas.

O Ministério Público defendeu que não existiam indícios para David Sánchez e as outras dez pessoas serem acusadas de prevaricação e tráfico de influências e tinha pedido o arquivamento do caso, o que a juíza não aceitou.

Este processo nasceu de uma queixa apresentada no ano passado pela associação "Mãos Limpas", que a comunicação social espanhola diz estar ligada à extrema-direita.

A mesma associação apresentou a queixa que levou à abertura, em 2024, de uma investigação à mulher de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, por suspeita de tráfico de influências e corrupção, num caso ainda sem desfecho.

Pedro Sánchez e outros dirigentes do Governo e do PSOE têm acusado a direita e a extrema-direita espanholas de montarem campanhas de difamação e "máquinas de lodo" para desestabilizarem o executivo e o primeiro-ministro.

O líder do Governo já disse também publicamente que há em Espanha juízes "a fazer política", a propósito do caso do irmão e da mulher.

"Ainda que confiando na Justiça e ainda que pensando que a imensa maioria de juízes fazem bem o seu trabalho, há juízes que não [são assim]", disse Sánchez em 01 de setembro de 2025 numa entrevista à televisão pública espanhola TVE.

"Há juízes a fazer política e políticos que tentam fazer justiça, sem dúvida alguma. São uma minoria, mas provocam um dano terrível à justiça", acrescentou o líder do Governo espanhol e do PSOE.

Para Sánchez, há juízes com "um problema de desempenho, de instrução" que, "no fim, estão a pagar duas pessoas por serem familiares" do primeiro-ministro.

Sublinhando que estão em causa, nestes dois casos, "denúncias falsas" de "organizações da extrema-direita", Sánchez garantiu "a inocência e a honestidade" do irmão e da mulher e disse esperar que a justiça e o tempo "coloquem as coisas no seu lugar".

A postura de Pedro Sánchez relativamente aos casos da mulher e do irmão é diferente da que assumiu face a investigações por corrupção que envolvem ex-dirigentes do PSOE, incluindo um antigo ministro, todos eles pessoas que foram 'braços direitos' do primeiro-ministro.

Nestes casos, Sánchez admitiu que há indícios muito fortes contra os visados (José Luis Ábalos e Santos Cerdán) e chegou a pedir desculpa aos militantes do PSOE.

Já quanto ao caso mais recente do ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSOE José Luis Rodríguez Zapatero, indiciado na semana passada por tráfico de influência e lavagem de dinheiro em atividades a que dedicou após deixar o Governo e a liderança do partido, Sánchez manifestou: "Toda a colaboração com a justiça, todo o respeito pela presunção de inocência e todo o meu apoio ao presidente Zapatero".

Maio 27, 2026 . 10:00

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