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“O Dão não é cópia de coisa nenhuma. É uma região de vinhos únicos no mundo”

Manuel Pinheiro assume a presidência da Comissão Vitivinícola da Região do Dão. Na bagagem, uma experiência de 20 anos nos Vinhos Verdes, mas também a paixão por esta região que o “acolheu e o fez sentir-se em casa” e que agora o inspira para assumir os desafios e procurar as respostas para os problemas de um Dão com vinhos “únicos no mundo”

Entrou com o pé direito o novo rosto da Comissão Vitivinícola da Região do Dão. Com um humor refinado e deixando claro que sabe ao que vem e o que quer para esta região, Manuel Pinheiro defendeu o Dão com uma paixão visível nas palavras, nos elogios e no reconhecimento dos problemas que se podem transformar em desafios para que a Região Demarcada do Dão dê o salto para afirmar aquilo que verdadeiramente é: “uma região de vinhos únicos no mundo”.
E para isso não há tempo a perder. Acreditando que pode contar com os parceiros locais e regionais, o novo presidente da CVR Dão reconheceu que o grande ponto de partida para o trabalho que quer desenvolver com a sua equipa, é a grande qualidade dos vinhos que aqui se produzem e que não é novidade para ninguém.

“E essa é a grande força da nossa região, o termos uma perceção de qualidade pelo país fora onde as pessoas reconhecem que temos grandes vinhos, o que é verdade”

“E essa é a grande força da nossa região, o termos uma perceção de qualidade pelo país fora onde as pessoas reconhecem que temos grandes vinhos, o que é verdade”, afirmou, sublinhando que há outros problemas, nomeadamente na exportação, onde ainda há um longo trabalho a fazer e nos preços a que estes vinhos são colocados no mercado, como apontam os produtores.
Então há que criar condições para alterar esta realidade e os pilares fundamentais estão lançados. Em primeiro lugar, a viticultura, com Manuel Pinheiro a reconhecer que há cada vez menos atividade e viticultores na região. Porquê? Porque a viticultura é hoje uma atividade que não é bem e onde os viticultores não são decentemente remunerados.
Dando como exemplo os “amigos do champanhe que recebem cinco e seis euros por cada quilo de uva ou os mais de três euros que pagamos por um quilo de uvas nos supermercados, o presidente da CVR Dão avisa que “só haverá mais viticultura se se conseguir remunerar melhor os viticultores e pagar o Encruzado (casta nobre do Dão) ao preço do Alvarinho”.

“Precisamos de fixar gente qualificada e jovens”
Em segundo lugar, a sustentabilidade, com Manuel Pinheiro a apontar a sustentabilidade social como a principal questão, ou seja, a região não tem gente. “E nós temos de cativar gente, fixar jovens e trabalhadores qualificados para desenvolver, em particular, um setor que é tecnológico, que exige formação e conhecimento”, alertou, avançando com um terceiro problema que está ligado à dimensão das empresas. Com uma realidade baseada em pequenas e médias empresas, o Dão não tem peso negocial junto das grandes superfícies e das cinco ou seis pessoas que a nível nacional decidem o que se vende ou não.
E por trás daquela boa disposição, Manuel Pinheiro também se irrita. Imagine-se com o quê: quando alguém diz que o Dão é a Borgonha portuguesa ou que o Dão faz vinhos tão bons como o Douro, mas não consegue vender aos mesmos preços. “Nós não temos de ser cópia de coisa nenhuma. Nós temos de procurar a valorização daquilo que é a afirmação da nossa região que é demarcada desde 1908 e somos uma região de vinhos únicos”, afirmou, defendendo que o Dão tem de se afirmar com “uma região única no mundo”. Uma vez que não o poderá fazer em dimensão ou em economia de escala.

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Janeiro 25, 2026 . 21:15

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