
Exposição ‘Meu Cristo’ patente nos Claustros da Sé de Viseu
O Tesouro da Catedral - Museu de Arte Sacra, da responsabilidade do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, inaugurou a exposição temporária ‘Meu Cristo’, que remete “para a Ressurreição em permanência e nos convoca para um caminho interior, de crescimento pessoal e de renovação, e de esperança sustentada num amor incondicional”.
Composta por 66 esculturas de Cristo Ressuscitado, da autoria do artista Paulo Neves, surge enquadrada no período da Semana Santa e da Páscoa e poderá ser visitada nos Claustros da Sé, até ao dia 7 de maio.
Fátima Eusébio, coordenadora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, destaca que “as peças contemporâneas são uma presença silenciosa no claustro renascentista, onde se encontram expostas, e convidam à contemplação, à meditação e a olhar Cristo enquanto se caminha, reforçando o sentido do espaço”.
Durante a inauguração da exposição, explicou aos presentes a origem do nome da exposição, assim como nasceram as peças artísticas. “Meu, o pronome possessivo do título da exposição, acentua a identidade das obras desta mostra com o seu autor. Além de constituírem o resultado do seu processo criativo, a materialidade das peças interliga-se com a sua vida. O buxo, que o Paulo Neves plantou há mais de cinquenta anos, junto à sua casa, e que viu crescer e robustecer-se foi presença diária ao seu olhar acabou por secar. Porém, o artista fê-lo renascer sob a forma da imagem da verdadeira árvore da vida, Cristo. A planta, que ligou as gerações passadas e presentes da família do artista, eterniza-se, assim, através da imagem de Cristo Ressuscitado, numa união entre a matéria e o transcendente. A partir do tronco e dos ramos, com formatos que resultaram do ritmo de vida e da vitalidade da planta, o artista corporizou 33 (um número simbólico) imagens de Cristo, sem uma intervenção excessiva. Veem-se os veios da madeira, as formas são sintéticas, desenvolvem-se e contorcem-se como um organismo vivo”, descreveu.
O processo criativo do autor deu origem a 33 imagens de madeira que foram duplicadas em 33 imagens de bronze, “reforçando não só a sua longevidade e continuidade, mas também a ideia de renovação e de revelação, induzindo a novos olhares e interpretações”, explicou a responsável.
“Enquanto que a forma orgânica e a nudez da madeira, na sua beleza natural, infundem delicadeza, serenidade e leveza, o bronze, com maior diversidade de tons e com a infusão de ouro nos rostos, fortifica o sentido do mistério e da plenitude”, acrescentou.
‘Meu Cristo’ é a voz de Paulo Neves, “artista e homem, que entende o que quer dizer e como o dizer de forma consolidada e aprofundada, uma expressão do seu amor à natureza, à vida e a Cristo”, realçou Fátima Eusébio, agradecendo a generosidade do artista e do proprietário atual das peças, que também esteve presente, por as disponibilizarem para serem apresentadas em diferentes locais.







