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Binaural Nodar quer saber “Como se Alimenta uma Aldeia?”

Desenvolvido em Várzea de Calde, o novo trabalho de investigação e criação é dedicado à gastronomia local

A Binaural Nodar desenvolve, até dia 18 de agosto, na aldeia de Várzea de Calde, em Viseu, um novo trabalho de investigação e criação dedicado à gastronomia local, em mais uma parceria com a antropóloga e artista sonora uruguaia Ana Rodríguez.
O projeto propõe-se escutar e registar os saberes, os gestos e as memórias associados à alimentação na aldeia, dando continuidade a uma linha de trabalho que a Binaural Nodar tem vindo a consolidar ao longo dos últimos anos.
A incursão pela gastronomia surge na sequência de outros projetos que já haviam abordado o tema da alimentação de forma indireta, através de diferentes entradas, nomeadamente, as plantas, em ‘Plantas Faladas’ (2019); os percursos de emigração e do regresso à aldeia, em ‘Ecos da Ida do Retorno’ (2022); e uma planta específica do mundo rural de montanha, em ‘A Carqueja no Quotidiano de Várzea de Calde’ (2025). ‘Como se Alimenta uma Aldeia?’ assume agora a alimentação como tema central, procurando compreender de que forma comer, cozinhar e partilhar mesa moldam a identidade e a vida comunitária de Várzea de Calde.
O trabalho procurará escutar as temáticas da alimentação ao longo do ciclo do ano, tal como se viveu no contexto de subsistência das comunidades rurais da região de Viseu até há cerca de meio século, com uma dieta assente nos produtos da época, num contexto de autossubsistência. Trata-se de reconstituir, através da memória oral, os ritmos sazonais do cultivo e da conservação dos alimentos — o que se comia em cada altura do ano, consoante o que a terra dava, e como se guardava o suficiente para os meses mais difíceis.
O projeto articula-se ainda com ‘Paisagens, Vozes e Sabores da Comunidade Ucraniana de Viseu’, aproximando duas comunidades que, à primeira vista, pouco parecem ter em comum, mas que partilham um elo simbólico revelador: Várzea de Calde é uma aldeia portuguesa onde o linho artesanal continua a ser trabalhado, e na Ucrânia o linho é o tecido nacional por excelência, presente nas célebres camisas bordadas de padrões tradicionais usadas, inclusivamente, pela comunidade ucraniana residente em Viseu. É a partir desse diálogo entre fios e sabores, que se prepara uma exposição conjunta sobre a gastronomia da Ucrânia e de Várzea de Calde, a inaugurar no final do ano no Museu do Linho de Várzea de Calde.
‘Como se Alimenta uma Aldeia?’ conta com as parcerias locais do Município de Viseu, da Junta de Freguesia de Calde e da Associação de Ucranianos em Viseu, e está integrado no projeto internacional Rede Tramontana, financiado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia. Este enquadramento confere ao trabalho desenvolvido em Várzea de Calde e com a comunidade ucraniana de Viseu uma dimensão que ultrapassa a escala local, inserindo-o numa rede europeia de cooperação cultural.

Julho 18, 2026 . 17:30

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