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Liberdade de escolha sobre quem goza licença parental é muitas vezes condicionada

A escolha sobre quem vai gozar a licença parental reflete muitas vezes uma liberdade condicionada, recaindo predominantemente sobre as mães, situação que o Governo quer alterar, afirmou a secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade.

Sem paternalismos nem querer condicionar a liberdade inerente à vida familiar, nem sempre esta liberdade é exercida cabalmente, é muitas vezes condicionada pelas circunstâncias, pressão social, estereótipos de género, afirmou Carla Rodrigues, numa audição no parlamento no âmbito da apreciação na especialidade de uma petição para alargar a licença parental, que reuniu 42 mil assinaturas.

"Não pode o alargamento da licença parental condicionar ainda mais as mulheres", disse aos deputados, lembrando que o desequilíbrio nos usos do tempo com os encargos da casa e família tem um impacto na vida e na carreira da mulher, na sua progressão, na contratação ou na remuneração.

Os cidadãos subscritores da petição propõem o alargamento da licença parental inicial até aos 180 dias, com remuneração a 100%, independentemente da partilha entre progenitores, alinhando-se com as políticas do Governo mas divergindo quanto à partilha.

Para haver uma partilha efetiva das responsabilidades, entre pai e mão, tem de haver uma partilha obrigatória, no sentido em que o pai também possa exercer a sua licença parental e colaborar nessas tarefas, defendeu a governante.

Esta partilha do gozo da licença é importante para o fortalecimento das relações familiares, propicia a partilha das responsabilidades no casal e o hábito da partilha para toda a vida das crianças e o desenrolar da vida doméstica, além de que força a destruição de estereótipos, argumentou.

"A lei pode e deve, em algumas circunstâncias, forçar a realidade (...) entende o Governo que a lei deve forçar também a transformação das mentalidades e as transformações sociais", argumentou.

Na sua intervenção, a deputada Isabel Mendes Lopes, do partido Livre, reconheceu a desigualdade que existe nos cuidados dos filhos, em que a mãe é mais sobrecarregada com essa tarefa, mas defendeu que não se pode forçar homens a ter mais tempo a cuidar dos filhos à conta do tempo destinado à mulher.

Defender uma licença de três meses para a mãe e igual período para o pai não faz sentido e é contra recomendações internacionais, nomeadamente quanto à amamentação, mas tem de se garantir que a mãe goza seis meses de licença e depois goza o pai, só assim há uma igualdade entre homens e mulheres, defendeu a deputada.

No âmbito de um conjunto de audições sobre o alargamento da licença parental inicial, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Palma Ramalho, vai ser ouvida na próxima semana.

O Governo avançou, no final de 2025, com uma reforma da legislação laboral que incluiu o aumento para 180 dias na licença parental inicial, mas só se, depois de gozados os 120 dias obrigatórios, os dois progenitores optarem por mais 60 dias em regime partilhado.

Julho 17, 2026 . 21:00

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