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Autarcas querem contrapartidas ambientais e estruturais à barragem de Girabolhos

As reivindicações foram feitas durante a sessão de lançamento do concurso público para a construção do empreendimento, que decorreu na Câmara Municipal de Gouveia

Os autarcas dos municípios abrangidos pela barragem de Girabolhos reivindicaram esta quarta-feira contrapartidas como a construção de estradas, a melhoria do abastecimento de água às populações, e a proteção do rio Mondego.

As reivindicações foram feitas durante a sessão de lançamento do concurso público para a construção do empreendimento, que decorreu na Câmara Municipal de Gouveia, no distrito da Guarda.

A barragem de Girabolhos vai ser construída no Alto Mondego, numa área que abrange os municípios de Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, no distrito da Guarda, Mangualde e Nelas, no distrito de Viseu,

Jorge Ferreira (PSD), autarca de Gouveia, foi o primeiro a falar e lembrou que barragem de Girabolhos é “há muito reivindicada por uma ampla parte das populações e dos autarcas da nossa região”.

O presidente da Câmara anfitriã considerou também que o projeto pode representar “uma oportunidade relevante” para o desenvolvimento local.

“É um momento histórico para o nosso concelho e para toda a região e o início de um novo ciclo porque a sua concretização transporta consigo um sinal claro de esperança na criação de emprego, na fixação de pessoas e na captação de investimento privado”.

Jorge Ferreira acrescentou que há igualmente “esperança na melhoria das acessibilidades e das condições de atratividade do nosso interior”.

“E, se, ao mesmo tempo, contribuir também para reforçar a capacidade de mitigação e controlo das cheias no Baixo Mondego, tanto melhor”, realçou.

No entanto, o edil gouveense alertou que o processo de construção da barragem de Girabolhos deve decorrer “com transparência, rigor técnico e diálogo permanente”.

“É fundamental que exista uma articulação estreita entre a administração central, a Agência Portuguesa do Ambiente, as restantes entidades envolvidas e os municípios abrangidos”.

Na sua opinião, “trabalhando em conjunto, será possível construir uma solução equilibrada capaz de conciliar os objetivos ambientais, energéticos, territoriais e de desenvolvimento económico”.

Já Luciano Ribeiro (PS), presidente da Câmara de Seia, lembrou que a construção dos Itinerários Complementares (IC) 7, 37 e 12 são “aspirações” que estão por cumprir.

“Esta região exige a mesma solidariedade que tem com o país. Não pedimos autoestradas, só pedimos estradas melhores, que serão importantes para valorizar este território e os próprios acessos à barragem”, defendeu.

O autarca senense sugeriu, de resto, que estas vias possam ser incluídas nas Parcerias Público-Privadas (PPP) que o Governo tenciona lançar para novas estradas.

João Pedro Cruz, vice-presidente da Câmara de Mangualde, também do PS, afirmou que o apoio dos autarcas "não é um cheque em branco".

“A barragem de Girabolhos tem de contribuir para a valorização do território e, para Mangualde, é determinante para o abastecimento de água no concelho” destacou.

O autarca defendeu que “a prioridade da água para consumo humano deve ser salvaguardada antes de assinar o contrato” com o vencedor do concurso público.

Sugeriu, por isso, a criação de uma comissão de acompanhamento do projeto para “salvaguardar os interesses das populações e dos municípios”.

O mesmo reivindicou o presidente da Câmara de Nelas, o social-democrata Joaquim Amaral, para quem “é essencial” a atualização do estudo de impacte ambiental do empreendimento.

Bruno Costa, vice-presidente da Câmara de Fornos de Algodres, eleito pelo PS, pediu “medidas concretas de proteção e valorização do rio Mondego para que esta possa ser também a grande obra de requalificação ambiental” daquele curso de água.

Em declarações aos jornalistas, já em Girabolhos, no concelho de Seia, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que as contrapartidas reivindicadas pelos autarcas vão ser garantidas.

“Vamos definir as compensações numa comissão de acompanhamento de todo o processo, que vai envolver os autarcas, a APA, representantes da região e associações de agricultores ou de indústrias afetadas pela situação”.

A governante acrescentou que irá fazer um despacho para criar “um modelo de gestão em conjunto” do projeto.

Julho 16, 2026 . 09:45

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