
“Entrudo de Lazarim” inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
Com este procedimento, o Património Cultural, IP reconhece a relevância desta manifestação na atual matriz identitária da comunidade envolvida, a sua importância histórica no território em que se insere e a sua influência social, cultural e artística, bem como as dinâmicas de transmissão de práticas e saberes desenvolvidas ao longo de gerações entre os detentores dos conhecimentos associados.
O Entrudo de Lazarim decorre de Domingo Gordo a Terça-Feira Gorda. Durante estes dias as ruas de Lazarim são percorridas pelos caretos, máscaras de madeira que nas últimas décadas se tornaram, pela sua excentricidade, o aspeto mais distintivo desta festa.
No domingo realiza-se o desfile etnográfico, um momento introduzido em meados da década de 1990 como forma de promover o convívio entre vizinhos e a memória coletiva associada às práticas culturais do universo rural agrícola. Nele participam grupos representantes dos vários locais de Lazarim (Padrão, Valverde e Vila), que desfilam com trajes alusivos a profissões tradicionais.
A Terça-Feira é o dia mais complexo do programa festivo, envolvendo o maior número de rituais e de participantes. Durante a tarde saem os caretos, protagonistas principais, que estreiam os seus fatos e máscaras novas, preparados especificamente para serem revelados neste dia e surpreender a população.
Esta novidade do Entrudo de Lazarim passou, desde a década de 80, a ser publicamente premiada, num concurso de Máscaras (que hoje distingue, além da máscara e do seu artesão, também o careto e o fato). Pelo meio decorre a Leitura dos Testamentos, um momento de crítica social imbuído de certa teatralidade, em que um rapaz e uma rapariga (os Testamenteiros) leem os versos preparados, em segredo, pelo grupo de rapazes solteiros e pelo grupo de raparigas solteiras.
Completa-se este momento de grande espetacularidade e reunião da população com a Queima dos Bonecos da Comadre e do Compadre. Os festejos encerram com uma refeição preparada para a população e para os visitantes no largo do Padrão e na Vila. Em potes de ferro servem-se, respetivamente, a feijoada e o caldo de farinha, pratos típicos do inverno pela sua riqueza em carnes de fumeiro.
Os dias de festejo do Entrudo são antecedidos por vários preparativos ao longo de meses. Uma das componentes mais demorada é o fabrico das máscaras. Inicialmente feitas de rendas, começaram mais tarde a ser produzidas em madeira de amieiro. O número de homens que se dedica a esta tarefa aumentou significativamente nas últimas décadas. Cada artesão produz as suas máscaras, por norma com algum secretismo.
É também preparado com muita antecedência o desfile etnográfico, cujo tema anual determina os fatos, acessórios, canções e coreografias a preparar. Os naturais das três zonas de Lazarim (Padrão, Vila e Valverde) organizam sessões de trabalho que se vão realizando coletiva e individualmente, para distribuir tarefas e ensaiar.
O pedido de registo do “Entrudo de Lazarim” foi submetido pela Câmara Municipal de Lamego, em resultado de um processo de investigação no terreno conduzido em estreita colaboração com as comunidades envolvidas.







