
Lapa da Meruje em Vouzela classificada como sítio de interesse público
A portaria que classifica a Lapa da Meruje – uma mamoa com 32 metros de diâmetro, situada em Carvalhal de Vermilhas, na vertente oeste da serra do Caramulo - foi hoje publicada em Diário da República.
Esta classificação é justificada com o seu interesse enquanto testemunho simbólico ou religioso, de vivências e factos históricos, com a sua extensão e o que “nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”.
Na portaria é ainda referido o interesse do ponto de vista da investigação histórica e científica e “circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da sua perenidade ou integridade”.
Carlos Oliveira contou à agência Lusa que, em dezembro de 2015, “o município assinou protocolos e um memorando das linhas orientadoras para o estudo de valorização do património histórico e arqueológico do concelho”.
Depois dos grandes incêndios de 2017, que destruíram 75% do território deste concelho do distrito de Viseu, foi também feito um trabalho nesta área.
“Verificámos que, face à catástrofe, tínhamos oportunidade de ter conhecimento de muito mais património que havia no território”, acrescentou.
O autarca frisou que o concelho “tem potencialidades muito grandes”, com os rios e a serra “a marcarem profundamente a identidade” e os seus “espaços não só de vida, de trabalho e de refúgio, mas também de cultura”.
“Aqui a natureza e a história cruzam-se. Fazemos uma leitura que é completa da relação que existe entre a comunidade humana e o ambiente onde nos encontramos”, acrescentou.
Segundo a portaria, a Lapa da Meruje “conserva uma carapaça pétrea na maior parte da sua extensão, encontrando-se muito bem conservada, apesar de não cobrir totalmente o monumento”.
Estão também conservadas “gravuras pré-históricas, esquemáticas, e uma gravura de finais do século XX, na face interna dos esteios da câmara e do corredor, existindo, ainda, gravuras da época moderna no topo do chapéu”.
Os materiais arqueológicos recolhidos remetem a sua construção para “o IV milénio a. C. (Neolítico Médio) e permitem estender a sua utilização até finais do IV/inícios do III milénio a. C. (Neolítico Final/Calcolítico)”.
Por ser considerada uma Área de Sensibilidade Arqueológica, há restrições em todo o sítio classificado, ficando “qualquer alteração do uso e ocupação do solo, ou intervenção que implique intrusão no subsolo condicionadas à realização prévia de trabalhos arqueológicos”.
Carlos Oliveira sublinhou o trabalho que a Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões está a fazer para promover o megalitismo na região, com o intuito de conseguir o estatuto de Património da Humanidade da UNESCO.
“É uma estratégia de desenvolvimento turístico no nosso território que é fundamental para ter novos atrativos, novos visitantes, novos públicos, mais economia, mais gente no território, mais vida”, sublinhou.









