
Grupo Vozes da Terra homenageado no Dia do Município de Vouzela
O grupo Vozes da Terra, formado em 1994, é um dos homenageados no Dia do Município de Vouzela. Diário de Viseu falou com Luís Paiva, presidente da direção, que manifestou a sua satisfação pela distinção.
“Ficamos muito agradecidos ao município pelo reconhecimento, mas a verdade é que nunca o procurámos. Este grupo nasceu há 32 anos porque havia vários jovens que tinham em comum o gosto pela música tradicional portuguesa, era uma geração que tinha outros interesses que agora não existem, e conseguimos juntar-nos e fazer algo interessante, mas nunca pensávamos, jamais, durar 32 anos e muito menos ser alvos de uma homenagem. Talvez o nosso percurso tenha sido muito diferente para melhor do que pensávamos e agora acontece esta homenagem”, referiu.
Atualmente com 14 elementos, o Vozes da Terra tem três trabalhos discográficos em nome próprio: “Rondó”, de 2000, “Tributos (Ao vivo)”, de 2003, e “Origens”, de 2024.
“O primeiro continha música tradicional de várias regiões do país e também de cantautores como Zeca Afonso, Pedro Barroso e Adriano Correia de Oliveira. O segundo foi um duplo CD, ao vivo, em que fizemos um tributo ao 25 de Abril com vários convidados. Neste disco até tivemos uma faixa multimédia, uma raridade em 2003. O terceiro foi lançado em 2024 e continha originais, algo que ainda não tínhamos explorado. Os temas têm a ver com as raízes do povo, fala das nossas recordações, da nossa voz, dos lugares da região, no fundo é o tal retrato que queremos fazer de outros tempos e que se enquadra bem neste tema dos grupos populares tradicionais”, explicou.
O Vozes da Terra já atuou em países como França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos, sempre próximos da comunidade portuguesa
“Uma das características que nos distingue são os nossos concertos temáticos, assim como a forma como nos vestimos, com o linho da nossa região, uma faceta em que fomos pioneiros e inovadores, porque abrimos as portas para outros grupos também depois utilizarem este género de vestuário. As nossas roupas são feitas nas Capuchinhas do Mezio, em Castro Daire, que estão connosco desde o início”, afirmou.
Luís Paiva lamenta que, no contexto atual, a música tradicional não seja tão bem tratada como era antigamente.
“Creio que já teve mais importância e isso deixa-me um pouco triste, a mim e ao grupo. Mas parece-nos que há um ressurgir lento e um interesse das populações, e os municípios aí têm um papel muito importante e com o Município de Vouzela sempre nos sentimos apoiados quando pedimos ou precisamos de alguma coisa, seja para ir à televisão ou a atuações fora do concelho”, reconheceu.
Sobre a “concorrência” em termos de género musical, entende que a música tradicional portuguesa não tem a exposição mediática que merece.
“Eu acho que há adesão se as rádios e as televisões mostrarem, se as comissões de festas apostarem, porque os valores que pede um grupo de música tradicional para atuar são infinitamente menores do que qualquer grupo de baile, por mais conceituado que seja”, considerou Luís Paiva.
Apesar de tudo, espera que “as coisas voltem a ser como antes” e que haja uma maior aposta na música, “embora não nos possamos queixar, porque tivemos um último ano extremamente ativo”.
Sobre o futuro, Luís Paiva diz que um novo disco estará sempre no horizonte, porque estão a trabalhar em temas originais.
“Gravar um trabalho não é barato, por nós próprios, e será sempre impossível, mas com alguns apoios sim. O Município de Vouzela tem muitas associações culturais e as verbas terão de ser distribuídas por todas. Mas é possível que possa vir a haver um novo disco, embora seja difícil, porque temos outras atividades, arranjar tempo para estarmos todos juntos, para ensaiar, criar e fazermos uma das coisas que mais gostamos”, concluiu.












