
De avô para neto, o segredo da ‘Croquente’ está a conquistar Viseu
Perto da Quinta D’El-Rei, no centro de Viseu, há um novo cheiro no ar, e é impossível ignorá-lo. Chama-se Croquente, uma churrascaria recente, mas com raízes que atravessam gerações. À frente do projeto está João Tarelho, um nome que, mais do que lançar um negócio, parece dar continuidade a uma história de família.
A marca surgiu há um mês, mas João refere que “o conceito nasceu já há mais de 10 anos”. Sem esconder o entusiasmo, assume que ele próprio nasceu na restauração, e não é força de expressão. “O meu avô nasceu na área, o meu pai também seguiu esta vertente, e agora calhou a minha vez.”
O respeito sente-se no prato. A receita que hoje chega às mesas tem meio século de história. O segredo? Um molho picante especial, também herdado, que dá ao frango uma identidade própria. “Faz com que o frango fique com a pele estaladiça, o grande diferenciador.”
A origem da marca
Daí nasceu o nome, quase como uma assinatura natural: “Com uma pele estaladiça, usei a palavra crocante, e quente, ficou Croquente.”
Mas há mais do que tradição neste espaço. Há também percurso, escolhas e um regresso com significado. Natural de Cantanhede, João encontrou em Viseu uma segunda casa — e, mais do que isso, um ponto de viragem pessoal. Foi na cidade que conheceu a mulher, numa altura em que estava emigrado em França, e foi também aqui que decidiu fincar raízes. Pelo caminho, acumulou experiência na gestão de equipas e negócios, o que lhe deu confiança para avançar. “Foi o facto de ter gerido uma loja desse calibre assim como uma equipa de supermercado que me fez sentir preparado para dar o próximo passo.”
Na Croquente, nada parece deixado ao acaso — nem a equipa. “A quase totalidade da equipa de sete pessoas que me acompanha agora já tinha trabalhado comigo antes”, revela. Mais do que relações de confiança, João destaca a competência: “Não são só amigos, mas sim operacionalmente muito fortes”, sublinha.
O conceito da casa assenta em três pilares simples, mas exigentes: qualidade, rapidez e proximidade. “O normal para mim é o cliente chegar e em cinco minutos estar servido, com boa comida, muita simpatia e muito foco”, afirma. E esse foco passa por um acompanhamento constante:
“Estamos sempre preocupados, se o cliente está a gostar ou não”
A estrela é, sem surpresa, o frango. Mas o famoso molho não se fica por aí. “Dá para tudo: entrecosto, entremeadas, carne de vaca, picanha. A receita é secreta”, brinca. A acompanhar, há outro clássico: o arroz malandro, uma receita com décadas, herdada pela sua avó.
Cliente em primeiro lugar
A preocupação com o cliente vai além do sabor. Segurança alimentar e consistência são prioridades assumidas. E a ambição vai mais longe do que uma refeição bem servida: “A pessoa vai gostar, vai se tornar quase uma embaixadora nossa e vai ficar para a vida.”
Apesar de ser ainda a única unidade da marca, o olhar já está no futuro, mas com os pés bem assentes na terra. João assume que o “objetivo é desenvolver”, mas primeiro tornar a marca “viável, sustentada e com presença em Viseu”.
Para já, o foco está em consolidar a casa e conquistar públicos — dentro e fora da sala. O espaço tem enchido, mas há um canal que João quer fazer crescer: o take-away. “Estamos a ter muito sucesso em sala, estamos a encher várias vezes”.
A Croquente está aberta todos os dias, menos à quarta-feira. De quinta a domingo, das 11h às 15h e 18h às 22h, enquanto nas segundas e terças, encerram hora e meia mais cedo à noite, pelas 20h30.
Com a promessa de frango pronto desde a abertura — “a pessoa chegar aqui não tem que esperar, o frango está pronto” —, o espaço quer afirmar-se como uma referência prática e com alma. E talvez seja essa a verdadeira receita: tradição, ritmo moderno e uma história que continua a ser escrita, agora à mesa de Viseu.








