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Sátão celebra o regresso da Feira do Míscaro com sabores e tradições beirãs

O Largo de São Bernardo volta a receber dezenas de expositores da apreciada iguaria do concelho, num programa que inclui um showcooking, animação musical e o tradicional magusto de São Martinho

Que é a gastronomia que conquista os mais esquisitos, já nos sabemos. E, por isso, a proposta de fim de semana são os míscaros de Sátão. Um produto endógeno que dá nome à Capital do Míscaro, uma marca que deixa em qualquer visitante.
Este domingo, a vila volta a receber a Feira do Míscaro, evento promovido pela autarquia e que regressa dezoito anos após a primeira edição.
A iniciativa decorre no Largo de São Bernardo, a partir das 9h00, reunindo dezenas de expositores entre vendedores de míscaros, produtos regionais e artesanato.
Música, gastronomia e cultura também não faltam num programa que anualmente atrai milhares de curiosos ao concelho. Tudo para provar este ex-libris gastronómico.
Nesse dia, o míscaro volta a ser o rei da festa, mas também vão estar disponíveis produtos como a batata, o mel, a aguardente, a castanha, a jeropiga e o melhor que se faz por aquelas bandas. Ao longo do dia, os visitantes podem também deliciar-se com pratos regionais como o célebre arroz de Míscaro, que estarão disponíveis pelo certame.
O programa conta ainda com animação musical a cargo da Banda Filarmónica de Sátão - AUPA e de SemGénero Grupo Musical, além das tradicionais provas de míscaros e o magusto de São Martinho para terminar em ‘bom’.

Uma apanha que
se diz meticulosa
Com a chegada do outono, muitos são aqueles que percorrem ao milímetro os pinhais do concelho em busca dos melhores e mais deliciosos fungos, sejam eles de espécies como a Sancha, o Tortulho e o Míscaro. Viram e reviram a caruma, em terreno seco ou molhado, à procura de uma iguaria sazonal que há muito conquistou os mais exigentes palatos neste território beirão e por todo o país.
O míscaro, também conhecido como Cepa ou Sancha, é o mais procurado e apreciado. Igualmente afamados são o Pé de Carneiro, Couve Flor e o Tortulho ou Frade. Mas não se pense que é só chegar à floresta ou aos pinhais e arrancar os fungos do chão. Em todo este processo, lembra a autarquia, existem regras e normas que importa seguir e respeitar para não destruir a ‘casa’ deste produto tão querido ao concelho. São eles deixar ficar na terra as espécies que não se reconhecem, não os destruindo, porque todos eles têm uma função importante no ecossistema.
Outro aspeto fundamental é o tipo de material que se leva para a apanha. É necessário levar material pontiagudo para apanhar o cogumelo e minimizar os efeitos provocados no local da apanha. Também muito importante é levar um cesto de vime, não um balde ou um saco de plástico. É ainda fundamental não escavar tudo, apanhando apenas o Míscaro. Cumprindo estas regras, será mais fácil encontrar cogumelos nos anos vindouros, porque não se estraga o terreno.
Na apanha do Míscaro é frequente encontrarem-se pessoas dos distritos de Aveiro, Coimbra, Guarda e Viseu, que se deslocam propositadamente para o efeito.
O míscaro, antigamente, conhecido como “a comida dos pobres”, mas gradualmente, ao longo dos anos, viria a tornar-se uma iguaria transversal a todas as classes sociais. Hoje em dia, o míscaro não abunda como outrora, muito devido às alterações climáticas e aos incêndios que este ano lavraram o território até São João da Pesqueira.
Recorde-se que os fogos de agosto, que atingiram vários concelhos da região, devastaram grandes manchas de pinhal, reduzindo drasticamente as zonas onde o míscaro se desenvolvia, bem como a produção deste fungo.
No certame, são transacionadas grandes quantidades de Míscaro, o produto endógeno do território e o mais importante dinamizador da economia local.

Novembro 27, 2025 . 19:30

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