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Agrupamento de escolas de Castro Daire confirma investigação da GNR

Diretor António Luís Ferreira revela que estão igualmente equipas multidisciplinares no terreno a trabalhar de forma articulada com alunos, encarregados de educação e professores

O Agrupamento de Escolas de Castro Daire confirmou hoje que está a decorrer na escola secundária uma investigação por parte do NIC - Núcleo de In­vestigação Criminal da GNR.
“Eu não posso garantir que não exista outra entidade no terreno, porque algumas operam de forma mais discreta, mas o NIC está a verificar se existe alguma ligação entre os dois suicídios, porque é isso que está em causa”, sustentou António Luís Ferreira, diretor do agrupamento.
O responsável aludia aos dois casos de suicídio de alunos do agrupamento, um em maio e outro em setembro, e de outras três tentativas na última sema­na, factos que levaram à publicação, no sábado, de um comunicado à comunidade educativa, no sentido de “recuperar a serenidade” após “as perdas irreparáveis que nunca esqueceremos”.
“Sabemos que todos têm estado ansiosos por informações sobre o ambiente que se tem vivido na Escola Secundária, mas nós também estávamos desejosos por vos poder tranquilizar. Se não o fizemos antes foi por razões de força maior. O contexto que tivemos não nos permitia enviar uma mensagem de serenidade, porque nós próprios não a sentíamos. Muitos acontecimentos não podiam ser partilhados, sob pena de poderem perturbar o trabalho das equipas especializadas que estão no terreno. As próprias entidades especializadas nestas problemáticas aconselham muita prudência e contenção na comunicação”, começa por referir.
O agrupamento salienta que “com a ação de todos os membros da comunidade escolar (técnicos, pessoal docente, pessoal não docente, alunos, encarregados de educação), do município, da Unidade Local de Saúde, das forças de segurança e das entidades de investigação, estamos a recuperar a serenidade”.
No comunicado está expres­so um elogio aos alunos, aos quais foi pedida “ajuda, união e espí­rito de família” num mo­men­to “de dor e dificulda­de”.
“Recebemos deles uma resposta exemplar, souberam dar as mãos e mostrar maturidade e solidariedade. Estamos profundamente orgulhosos”, reforçou o agrupamento.
António Luís Ferreira confessou que “estávamos aconselhados a ter muita parcimónia na comunicação para não prejudicarmos o trabalho que está a ser feito e daí termos lançado o comunicado apenas agora, quando sentimos algu­ma segurança naquilo que estávamos a comunicar”.
O diretor confirmou ao nos­so jornal que na escola estão a trabalhar psicólogos do agrupamento, do município e da ULS Viseu Dão Lafões, relativamente ao apoio médico-clínico que se pode prestar em situações deste género a alunos, professores e encarregados de educação.
“Nesta altura, o que menos interessa é encontrar culpados, precisamos é de encontrar soluções e de estarmos todos a puxar para o mesmo lado”, enfatizou, acrescentando que a escola transmitiu todas as situações ao Ministério da Educação, também no sentido de que, “tendo os recursos, pudesse colaborar connosco”.

Aludindo ao estudo do Programa Escolar Mais Contigo, que concluiu que a sintomato­logia depressiva afeta 41% dos adolescentes, António Luís Fer­reira manifestou-se “muito preocupado”, porque “tendo acontecido estes dois casos, temos sempre o receio que alguém, numa situação de maior fragilidade, possa tentar alguma coisa”.

O diretor afirma que “nunca sabemos se os recursos são suficientes ou não, há aqui de facto o envolvimento de muitas equipas e técnicos especializados nas ques­tões de suicídio. Estão a trabalhar em articulação e ainda hoje de manhã houve um aumento do número de técnicos em ação aqui na escola, reuniram para articular também outras ações”.

A ações que estão a ser levadas a cabo na escola são dirigidas aos alunos, aos encarregados de educação e aos professores. “Eu, o psicólogo e a responsável pela turma, já fizemos reuniões com os encarregados de educação, da turma onde há o maior número de alunos, e da encarregada de educação de uma outra turma, que tem outros alunos também. Estas equipas técnicas estiveram ainda hoje de manhã a trabalhar novamente com os encarregados de educação, têm trabalhado já por diversas vezes com os alunos, ou seja, várias equipas em articulação a trabalhar”, referiu.

Questionado sobre se existem alunos mais problemáticos que outros, adiantou que esse levantamento está a ser realizado pelos profissionais.

“Ainda à hora do almoço estive a conversar com o psicólo­go e ele falou-me do trabalho que estão a fazer com os alunos, estão a criar uma lista de prioridades de intervenção, o que quer dizer que à partida as próprias equipas estão a tentar ver quem são aqueles que podem eventualmente ter maior risco e precisam de uma intervenção mais urgente e aprofundada”, explicou.

Envolvidas em todas estas ações estão as famílias, que estão ao corrente de todos estes processos e são igualmente uma parte ativa, bem como os próprios professores.

“Mesmo sabendo que prioritários são os alunos e os encarregados de educação, está a ser preparada uma ação para professores, até porque isto da saú­de mental, a perturbação que isto causa em termos psicológicos, afeta-nos a todos e afeta os professores, sobretudo aqueles que trabalham diretamente com estas turmas”, concluiu.

Setembro 29, 2025 . 18:15

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