
Mangualde ajuda agricultores com fornecimento de alimentação animal
Rui Figueiredo, Frederico Azevedo, Sérgio Figueiredo, Paulo Figueiredo e José Transmontano, todos agricultores de Mangualde exceto o último, que pertence ao concelho de Nelas, encetaram uma ação solidária a favor das vítimas dos recentes incêndios que fustigaram a zona Norte e Centro do país.
Os cinco agricultores conseguiram reunir 40 rolos de feno, com o intuito de oferecer alimentação para animais nos territórios atingidos pelas chamas, tendo tratado posteriormente do seu transporte em camião para o concelho de Trancoso.
Diário de Viseu falou com Rui Figueiredo, agricultor em Póvoa de Espinho, de Mangualde, que destacou que a iniciativa foi levada a cabo porque já esteve “do outro lado”, ou seja, também foi uma vítima dos incêndios.
“Todos nós temos animais e também já passámos por isto nos últimos anos, com os prejuízos provocados pelos incêndios, e sabemos o que é ficar sem nada por causa das chamas. Começámos a falar entre nós e organizamo-nos para encher um camião com palha para entregar a quem mais necessitasse. Depois de devidamente carregado, com 40 rolos de feno, saiu de Mangualde na segunda-feira e no mesmo dia foi entregue no Município de Trancoso”, sustentou.
A escolha de Trancoso foi aleatória, porque “poderíamos ter escolhido outro território entre aqueles que foram atingidos”. Espera agora que “o feno seja entregue a quem dele necessite para alimentar os seus animais”.
Os agricultores solicitaram o apoio da autarquia no sentido de providenciar o transporte, sendo que uma empresa de Santo André se ofereceu então para o fazer de forma gratuita.
“Eu penso que todas as ajudas são bem vindas quando nos vimos de repente sem nada. Eu os meus colegas também já fomos atingidos por este infortúnio, os nossos armazéns, onde estavam guardadas as palhas, e as pastorícias arderam, tanto em 2017 como no ano passado também”, lamentou.
Rui Figueiredo tem perfeita consciência das dificuldades que afetam por estes dias todos os proprietários de animais e os agricultores que ficaram de repente sem nada, asseverando que “não deve haver coisa pior que uma pessoa querer deitar comida aos animais e não a ter”.
Sobre a hipótese de repetir esta ação noutros concelhos, enfatizou que “toda a gente merece a nossa solidariedade, portanto é uma questão de aferir as necessidades que ainda existem nos territórios atingidos”
“Gostaria que esta atitude fosse replicada por mais pessoas, porque em 2017 fomos nós a receber muitas doações de vários pontos do país”, concluiu.







