
PCP diz que Governo deve “retirar o pacote laboral” e poupar o país a nova greve geral
“O que nós precisávamos não era da greve geral de dia 03 de junho, nós precisávamos é que o Governo fizesse aquilo que devia fazer, se tivesse bom senso, não estivesse cheio de arrogância como está. Era retirar este pacote, isto não serve, não serve os trabalhadores, não serve o povo, não serve o país. Retire o pacote e evite-se, poupe o país a esta situação e poupe o país a uma greve geral, porque, se não o fizer, vai ter uma grande resposta dos trabalhadores outra vez. Outra vez”, avançou.
Paulo Raimundo falava no Porto à margem de uma visita no Bairro da Associação de Moradores das Antas, na freguesia de Campanhã.
Para Raimundo, o país “não precisa nada disto”, e os trabalhadores “perceberam o que estava em causa e rejeitaram”.
“Agora, o que é preciso é derrotá-lo de vez. Como se costuma dizer nas grandes ações de luta, em que eu tenho estado e os trabalhadores têm estado: ‘é só mais um empurrão e o pacote vai ao chão’. O que aconteceu nos últimos dias foi mais um empurrão, e temos aí a greve geral no dia 03 de junho, que será mais um empurrão”, atirou.
“Peço desculpa pela forma um bocadinho bruta, mas vejo [o fim das negociações] com grande satisfação e grande alegria. O grande patronato, o PSD, o CSD-PP, a Iniciativa Liberal e o Chega, e o Chega, em particular, na versão André Cambalhotas (...), todos esses, o que querem impor, é ainda mais precariedade”, declarou.
O líder comunista aludia a André Ventura, que “deu meia cambalhota, enrolou um bocadinho a corda e já começou a dar”.
Numa manhã chuvosa, e acompanhado por dirigentes locais e nacionais, Paulo Raimundo contactou com vários moradores do bairro, que considerou um “projeto histórico” que surge na “sequência histórica do 25 de Abril de 1974” e, hoje, este bairro ligado ao Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) é “um exemplo a seguir”.
“[É preciso] resolver problemas, [há] muitos problemas para resolver, dificuldades, como é lógico, mas é um exemplo a seguir, porque dá consistência, dá garantias às pessoas, e foi aqui sublinhada (...) esta ideia da consagração do direito de propriedade, do direito de superfície. Permite dar uma segurança durante 50 anos”, lembrou.
Ali estão construídos dezenas de fogos habitacionais que, depois, são geridos pelas pessoas, que decidem em conjunto sobre questões, problemas, ou soluções que afetam o dia-a-dia do bairro, com a garantia “de que ninguém mexe nesta superfície”.
“Nós precisamos mais disto, nós precisamos apoiar isto, não é apoiar a banca, baixar o IRC para os fundos imobiliários, para a especulação. Eu até diria: que o Governo, por favor, não tome mais nenhuma medida para habitação, porque de cada vez que toma uma medida para a habitação, sobre o preço das casas e sobe as rendas. Esteja quieto, se não fizer mais nada, já está a ajudar as populações”, ironizou.
O secretário-geral comunista lamentou o “drama” da habitação que vivem muitos jovens e o povo em geral e elencou este como um bom exemplo de processos que deviam “ser mais apoiados”.
Sobre a decisão do Tribunal Constitucional (TC) de considerar inconstitucional a pena acessória de perda da nacionalidade, Paulo Raimundo disse que esta “estava na cara”.
“Estava na cara que aquela era uma lei inconstitucional. Uma pessoa que tem acesso à nacionalidade, a partir do momento em que tem acesso à nacionalidade, passa a ser tão nacional como outra qualquer, e não pode ter penas acessórias por ganhar uma nacionalidade”, declarou.
Segundo o secretário-geral do PCP, “era uma evidência” que esta seria a decisão e disse não compreender a insistência, embora não se tenha alongado sobre o tema, apelando à união e à discussão sobre “o que é fundamental”, como a crise da habitação.









