
Museu da Chapelaria vence Prémio Museu do Ano 2026
O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, foi distinguido com o Prémio Museu do Ano 2026, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM) numa cerimónia realizada em Sesimbra, distrito de Setúbal.
A entrega do galardão decorreu no Cineteatro Municipal João Mota, na presença de representantes do setor museológico e dos galardoados, no âmbito da cerimónia dos Prémios APOM, que reconheceu projetos e profissionais em onze categorias.
O Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), em Lisboa, e o Museu Nacional Resistência e Liberdade, instalado na Fortaleza de Peniche, finalistas ao Prémio Museu do Ano, receberam menções honrosas.
João Neto, presidente da direção da APOM, destacou o trabalho de «excelência na preservação do património e memória da arte da chapelaria de São João da Madeira» realizado pelo museu premiado.
Fundado em 2005, o Museu da Chapelaria é o único espaço museológico da Península Ibérica dedicado integralmente à história e fabrico industrial do chapéu, atividade que marcou o desenvolvimento económico e social de São João da Madeira ao longo do século XX, conforme informação do próprio museu.
A sua criação mantém viva a memória da comunidade operária chapeleira, cujos trabalhadores eram apelidados de "Unhas Negras" devido às marcas nas mãos provocadas pelo contacto diário com o feltro, tintas e outros materiais do processo produtivo. O município, perante o encerramento das fábricas, procurou preservar este património industrial e as histórias associadas a várias gerações de trabalhadores.
O museu funciona no edifício da antiga Empresa Industrial de Chapelaria, denominada "Fábrica Nova", fundada em 1914 e encerrada em 1995. A câmara municipal adquiriu o edifício e o espólio industrial em 1996, o que possibilitou a criação do museu, inaugurado a 22 de junho de 2005.
A coleção do museu integra maquinaria usada nas diversas fases da produção, ferramentas, moldes e formas de madeira, chapéus de várias épocas, fotografias, documentos e registos da atividade fabril.
Na exposição permanente, o público pode seguir as etapas do fabrico, perceber as condições de trabalho, os usos sociais do chapéu e a importância económica da indústria para a região.
Em janeiro de 2025, o Museu da Chapelaria reabriu ao público após seis meses de encerramento para obras de requalificação da exposição permanente, financiadas pelo Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus (ProMuseus).
Esta intervenção incorporou novos conteúdos e recursos de interpretação em português e inglês, além de materiais em braille e soluções multissensoriais, alargando as condições de acesso às coleções.
A acessibilidade é outra área de intervenção relevante, com percursos adaptados a pessoas com mobilidade reduzida, conteúdos em braille e materiais para exploração pelo tato.
Em 2025, o museu recebeu uma menção honrosa do Prémio Acesso Cultura – Mickaella Dantas pela criação de um Fraldário Acessível destinado a pessoas de diferentes idades e géneros.
Dirigido por Tânia Reis, o Museu da Chapelaria integra a Rede Portuguesa de Museus desde 2010, ano em que recebeu a credenciação que reconhece a qualidade do trabalho técnico, científico e cultural desenvolvido pela instituição.
A APOM já tinha atribuído ao Museu da Chapelaria três menções honrosas em diferentes categorias: em 2005, na de Melhor Museu, quando foi finalista; em 2010, na de Melhor Serviço de Extensão Cultural; e em 2023, na de Incorporação, pela doação de 77 criações do designer Luís Stoffel.
Este ano, a Associação Portuguesa de Museologia recebeu 78 candidaturas aos prémios, provenientes de todo o país.
Os Prémios APOM distinguem anualmente museus, profissionais e projetos nas diversas áreas da atividade museológica, incluindo investigação, conservação, comunicação, educação e acessibilidade.
Na edição de 2025, que coincidiou com os 60 anos da APOM, o Museu de Serralves, no Porto, venceu o prémio de Museu Português do Ano.






