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Gestão política e rede de comunicação na base da organização do Mundial

O diretor de Operações de Segurança da FIFA, Andrey Reis, e o diretor de Segurança, Proteção e Acessos do organismo, Helmut Spahn, deixaram hoje claro que também é urgente começar já a trabalhar na organização

Gestão política entre países e uma rede de comunicação com as entidades envolvidas, para questões como vistos e número de efetivos de segurança, terão de ser a base organizacional do Mundial de futebol de 2030.

O diretor de Operações de Segurança da FIFA, Andrey Reis, e o diretor de Segurança, Proteção e Acessos do organismo, Helmut Spahn, deixaram hoje claro que também é urgente começar já a trabalhar na organização e, nesse sentido, adiantaram que para a semana haverá uma equipa em Portugal.

Estes responsáveis falavam no painel sobre “Depois do apito final: lições do mundial de futebol FIFA 2026” ao final da manhã da quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que decorre em Viseu até quarta-feira, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência o Desporto (APCVD).

Helmut Spahn valeu-se também da sua experiência enquanto ex-polícia e militar durante 25 anos ao serviço da Alemanha para dar força aos seus argumentos, vincando que “ninguém sabe como estarão as relações políticas em 2030, mas é essencial que haja uma boa gestão entre Portugal, Espanha e Marrocos”.

Isto porque na altura do Mundial2026, nos Estados Unidos “vivia-se uma tensão muito grande e de guerra com o Irão, que também foi apurado”, o que “obrigou a mais trabalho e atenção”, sendo que “acabou por correr tudo bem”.

“O Mundial2026 não registou nenhum evento de segurança grave”, indicou.

Com isto, o diretor da FIFA também realçou a importância do “controlo dos vistos”, apontado como “um dos grandes desafios da organização”, já que o Mundial2030 “também acontece fora da Europa, em Marrocos, um país africano”.

Entre os vários fatores a ter em conta na organização, “e são muitos”, disseram, há um que ambos assumiram na sua intervenção, que é o da rede de comunicação entre todas as entidades envolvidas.

“Havendo algum percalço numa cidade de Marrocos, como é que a comunicação vai chegar, por exemplo, a um agente de segurança a Portugal, mais concretamente fora dos grandes centros, como aqui, em Viseu, por exemplo, que poderá ter uma equipa, ou mais, alojada”, indicou Andrey Reis.

Neste sentido, defendeu também a “necessidade de agentes de segurança locais com experiência em grandes eventos, porque são quem conhece melhor o terreno e isso é essencial” numa organização desta natureza.

“O poder de decisão local é muito importante, dentro dos parâmetros estabelecidos pela FIFA, claro, porque temos todos de trabalhar de forma igual, mas cada um no seu local e na sua realidade”, vincou Andrey Reis.

Para reflexão, os dois responsáveis deixaram diversas questões “muito pertinentes, que são a base de uma boa organização”, como, por exemplo, se “as tecnologias e plataformas a usar são iguais em todos os países”.

Isto, porque “tem de haver um padrão e todos têm de trabalhar da mesma maneira, apesar de, até culturalmente, serem países diferentes”.

“Há agentes de segurança suficientes para, por exemplo, em Lisboa, que tem dois grandes estádios, haver dois jogos em simultâneo, uma ou duas festas na cidade e ainda a segurança de todos os residente e turistas que a capital portuguesa tem e recebe”, questionou Andrey Reis.

Quem diz Lisboa, acrescentou, “diz Porto ou qualquer outra cidade que possa, eventualmente acolher seleções” de futebol.

O Mundial2026 de futebol aconteceu em 16 cidades de três países (Estados Unidos, México e Canadá), com um total de 48 seleções a participarem e 6,8 milhões de espetadores, com os estádios “sempre lotados” durante 74 dias.

“Ao nível da segurança, correu bem, não tivemos nenhum acidente considerado grave, mas envolvemos agentes de segurança pública e privada, agências e voluntários. Por exemplo, durante o Mundial, os agentes de segurança não puderam tirar férias, foi uma regra necessária para garantir o número de efetivos necessários”, disse Andrey Reis.

Outubro 27, 2026 . 20:30

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