
Luís Neves diz que PSP vai atuar “por antecipação”
“A PSP, as forças de segurança, têm toda a autonomia operacional para agirem da melhor forma possível, no sentido de anteciparem”, disse o governante à margem de uma reunião com a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro.
Perante a insistência dos jornalistas sobre como é que a PSP vai atuar nos próximos dias perante as concentrações em várias cidades do país em defesa de habitação para todos e a preços justos e dignos, Luís Neves insistiu que foi “muito claro” e que agir por antecipação é não deixar crescer.
“Quero dizer o seguinte: ninguém, eu próprio, nenhum membro do Governo fica satisfeito com qualquer ato de violência”, garantiu.
O ministro esclareceu que quando disse que “acabaram as acampadas” era no sentido de que a lei é para cumprir.
“Acho que tenho tido um discurso de respeito e até amigável no sentido de transmitir às pessoas aquilo que podem e o que não podem fazer”, vincou.
Luís Neves ressalvou que manifestar-se é um direito legítimo, constitucional e livre, mas tem de ser no cumprimento da lei.
“Há aqui uma aproximação entre quem faz a gestão da ordem pública, a gestão dos espaços públicos e os manifestantes e tudo isto tem de ser feito de uma forma em que haja respeito mútuo. Nós, a parte do Estado e das polícias, tem que haver aqui o cumprimento da lei”, sublinhou.
Considerando que as intervenções da PSP nos últimos dias decorreram de forma “muito positiva”, o governante reafirmou que a falta de habitação é um tema que toca a todos.
“Por isso, quero dizer a todos os manifestantes que estamos todos cientes de que estamos perante uma necessidade absoluta”, frisou.
Este Governo, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, está “muito estruturado e muito motivado” em encontrar soluções para toda a população, sobretudo para as camadas mais jovens, apontou.
Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.
As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa.
Na madrugada de terça-feira, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas.
Novas assembleias populares também se realizaram na terça-feira em Lisboa e em cidades como Coimbra, Braga ou Faro.







