
Tondela aprova voto de louvor aos operacionais que combateram incêndio
“Ultrapassada a fase mais crítica do incêndio florestal é tempo de, em nome do executivo municipal, expressarmos publicamente a nossa mais profunda gratidão e reconhecimento a todos aqueles que, com coragem, espírito de missão e elevado sentido de serviço público, estiveram envolvidos no combate às chamas”, defendeu a presidente da Câmara, Carla Antunes Borges, na apresentação do voto de louvor que foi subscrito por todos os vereadores.
“Os primeiros dias deste mês de julho ficarão para sempre gravados na memória das populações afetadas e de todos quantos viveram horas de enorme angústia e incerteza. Felizmente, não houve vítimas humanas no nosso concelho, mas os danos materiais e ambientais foram significativos. Estamos convictos de que, sem a dedicação, a competência e a coragem dos operacionais no terreno, as consequências teriam sido, incomparavelmente, mais gravosas”, acrescentou.
Nesse sentido, o executivo decidiu prestar “um sentido voto de louvor aos Bombeiros Voluntários de Tondela e do Vale de Besteiros, aos seus comandantes, dirigentes e bombeiros, bem como a todas as corporações que, vindas de vários pontos do país, combateram incansavelmente” o incêndio.
Além dos bombeiros, o voto de louvor foi estendido às restantes forças no terreno: Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, GNR, ICNF, Sapadores Florestais, Exército Português, Segurança Social, Juntas de Freguesia, com especial destaque para a União de Freguesias de São João do Monte e Mosteirinho, aos serviços municipais de Proteção Civil, de Ação Social e às equipas do Estaleiro Municipal, e à União Local de Proteção Civil da freguesia de Santiago de Besteiros “cujo empenho e capacidade de resposta foram essenciais no apoio às populações e na coordenação da operação”.
Carla Antunes Borges deixou ainda uma palavra de especial apreço à Unidade Militar de Emergências de Espanha que atuou no concelho.
“A todos, o nosso muito obrigado. O vosso heroísmo, altruísmo, espírito de sacrifício e dedicação permitiram proteger vidas, bens e património natural, evitando que esta tragédia assumisse proporções ainda mais devastadoras”, argumentou.
Como forma de homenagem, reconhecimento perante a comunidade e pelo exemplo de coragem, entrega, abnegação, humanismo, espírito de sacrifício, sentido de missão e dedicação incansável na proteção de pessoas e bens, a câmara deliberou ainda homenagear os bombeiros do concelho no próximo feriado municipal, 16 de setembro, Dia de Santa Eufémia.
Mais de 1500 hectares de área ardida e prejuízos estimados em 7,5 milhões
Entretanto, o município já começou a efetuar um levantamento dos prejuízos causados pelo fogo. Segundo dados ainda preliminares, a área ardida no concelho de Tondela ascendeu a 1.527 hectares, incidindo maioritariamente sobre povoamentos florestais, áreas agrícolas e infraestruturas de apoio à atividade agroflorestal.
As perdas atualmente identificadas estão estimadas em mais de 7,5 milhões de euros, evidenciando um impacto económico e social extremamente significativo para a União das Freguesias de São João do Monte e Mosteirinho, território de baixa densidade populacional cuja economia assenta fortemente na exploração florestal e nas atividades agrícolas.
O fogo provocou a destruição de uma extensa mancha florestal economicamente produtiva, estimando-se as perdas registadas nesta fileira em mais de 7 milhões de euros, valor que não inclui os impactos futuros no setor.
O levantamento efetuado permitiu identificar elevados prejuízos nas infraestruturas de apoio à comunidade, nomeadamente nos sistemas de abastecimento de água destinados ao consumo humano e à rega agrícola que foram destruídos pelas chamas.
O fogo consumiu centenas de metros de tubagens, destruiu válvulas, acessórios e equipamentos hidráulicos. As perdas rondam os 55 mil euros.
A reposição destas infraestruturas assume carácter prioritário, por constituir um elemento essencial ao normal abastecimento de habitações e das explorações agrícolas.
A atividade apícola sofreu também um forte revés. A produção de mel, que constitui uma importante fonte complementar de rendimento dos habitantes locais, sofreu um prejuízo económico imediato estimado em 16.800 euros, com a destruição de mais de 60 colmeias, que resultará numa perda de produção de cerca de 2.100 litros de mel na campanha deste ano.
Além da perda direta das colmeias, a destruição da vegetação comprometerá significativamente a recuperação da atividade apícola durante vários anos.
No entender do Município, perante a dimensão dos danos, será essencial a adoção de medidas extraordinárias de apoio à recuperação económica e ambiental da área afetada, designadamente através da criação de mecanismos específicos de apoio aos produtores florestais, agricultores e apicultores, bem como da implementação de programas de recuperação das infraestruturas agrícolas, reflorestação e valorização do território.







