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Relatório alerta para graves violações da liberdade religiosa em 62 países

Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresentou dados em Viseu e destaca, por exemplo, que o nacionalismo religioso está a aumentar, alimentando a exclusão e a repressão das minorias

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) Portugal apresentou esta tarde, em Viseu, o Relatório de 2025 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. Lançado de dois em dois anos, os dados apresentados referem-se ao período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024 e dão conta de graves violações da liberdade religiosa em 62 países do mundo, dos quais 24 estão classificados na pior categoria, isto é, perseguição, enquanto que os restantes 38 estão classificados como vítimas de discriminação religiosa.
De acordo com a diretora da Fundação AIS Portugal, Catarina Martins de Bettencourt, quase dois terços da humanidade, nomeadamente, mais de 5,4 mil milhões de pessoas, vive em países onde ocorrem graves violações da liberdade religiosa. “Durante o período deste relatório, apenas dois países, o Sri Lanka e o Cazaquistão apresentaram algumas melhorias face ao último relatório”, destacou.
Segundo a responsável, essa perseguição resulta em restrições no acesso à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e manifesta-se também no facto de alguém ser detido ou morto, apenas e só, por estar a viver a sua fé no mundo. O número elevado de pessoas que podem ser afetados é explicado com o facto de as violações graves e sistemáticas se verificarem em países como a China, a Índia, a Nigéria e a Coreia do Norte, sendo que os primeiros dois são os países mais populosos do mundo.

Quase dois terços da humanidade, nomeadamente, mais de 5,4 mil milhões de pessoas, vive em países onde ocorrem graves violações da liberdade religiosa

“Há 38 países do mundo que estão classificados como vítimas de discriminação religiosa, o que afeta potencialmente mais de 1,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Nestes países, como o Egito, a Etiópia, o México, a Turquia e o Vietnam, os grupos religiosos enfrentam restrições sistemáticas ao culto, à expressão e também à igualdade jurídica”, referiu, acrescentando que, “embora não estejam nestes países sujeitos à repressão violenta, a discriminação resulta, com frequência, em marginalização e também desigualdade jurídica”.
O relatório alerta ainda, pela primeira vez, para 24 países que foram classificados como sob observação. “Verificámos que há uma série de sinais de alerta que potencialmente podem ameaçar a liberdade religiosa. Entre os sinais que observámos vemos o aumento da intolerância, o extremismo religioso e também a crescente interferência estatal na vida religiosa. E isto pode afetar, potencialmente, cerca de 750 milhões de pessoas em todo o mundo”, explicou Catarina Martins de Bettencourt.
Ainda de acordo com o relatório, o autoritarismo é a maior ameaça à liberdade religiosa, a violência jihadista aumenta, adapta-se e desestabiliza a uma escala sem precedentes, o nacionalismo religioso está a aumentar, alimentando a exclusão e a repressão das minorias, a perseguição religiosa alimenta cada vez mais a migração forçada e a deslocação e o c crime organizado tem sistematicamente como alvo os líderes e as comunidades religiosas.
“É um dos pontos que aparece pela primeira vez no nosso relatório. Verifica-se, por exemplo, em países como a Nigéria, o Haiti e o México, onde o crime organizado é, neste momento, um dos principais impulsionadores da perseguição e da discriminação religiosa. No México, onde há uma rede criminosa de tráfico humano e de tráfico de droga, é a Igreja, através dos líderes das paróquias, que denuncia e tenta evitar que os jovens caiam nestas redes de tráfico humano e de droga. É por isso que o México é o país no mundo onde há mais padres que são assassinados”, revelou a diretora da Fundação AIS Portugal.

A Fundação IAS destaca ainda o uso da inteligência artificial e das ferramentas digitais como armas para reprimir grupos religiosos

O relatório refere ainda que que a liberdade religiosa tornou-se uma vítima global da guerra perante um aumento das situações de conflito em todo o mundo e que há um aumento acentuado dos crimes de ódio antisemitas e antimuçulmanos, com os incidentes anticristãos a aumentar nos países ocidentais. Em França, por exemplo, os atos antisemitas aumentaram 1000% face ao relatório anterior, enquanto que os crimes de ódio contra os muçulmanos aumentaram 29%.
A Fundação IAS destaca ainda o uso da inteligência artificial e das ferramentas digitais como armas para reprimir grupos religiosos. “Só na China, há, neste momento, mais de 700 milhões de câmaras de vigilância instaladas para vigiar, diariamente, cada passo que as pessoas possam dar,” disse Catarina Martins de Bettencourt, lembrando que a organização lançou uma petição em defesa da liberdade religiosa no mundo. Trata-se de uma iniciativa global da Ajuda à Igreja que Sofre e que é dirigida ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao presidente do Conselho Europeu e ainda ao alto comissário para os Direitos Humanos, à Assembleia Geral da ONU e aos líderes de governos democráticos, assim como embaixadores e representantes diplomáticos.

Julho 15, 2026 . 18:15

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