
Plano a 10 anos prevê enterrar três troços da VCI
O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Porto, hoje apresentado, prevê, num máximo de 10 anos, o enterramento de três troços da Via de Cintura Interna (VCI) e a implementação de um sistema de bicicletas partilhadas.
Segundo o plano, apresentado hoje no Pequeno Auditório do Rivoli - totalmente lotado - pela presidente da empresa OPT, Sandra Lameiras, e pelo coordenador da Divisão de Mobilidade, Miguel Lopes, responsáveis pelo documento, está previsto "proceder à cobertura da VCI em troços específicos".
Em causa estão o Foco, Faria Guimarães e Antas, "ou seja, nas zonas onde a VCI se desenvolve numa cota inferior ao território adjacente", explicou Sandra Lameiras, possibilitando "a construção de espaços verdes de proximidade e de equipamentos desportivos", mas permitindo à VCI "manter o seu papel como via estruturante de ligação no interior da cidade".
Outras medidas são o "prolongamento dos túneis do Campo Alegre e de Faria Guimarães", para libertar mais espaço à superfície, e o "reperfilamento integral da Estrada da Circunvalação".
Precisamente na Circunvalação, o plano prevê a construção de um interface na zona do Hospital São João, propondo Sandra Lameiras "o enterramento da linha de metro, do canal rodoviário da Circunvalação, um parque de estacionamento subterrâneo, um terminal rodoviário à superfície e uma ligação pedonal eficiente à Linha de Leixões".
"É muito importante nós conseguirmos congregar os términos, ou o início, das linhas [de metro] da Maia [II] que está prevista em Roberto Frias, da linha de São Mamede de Infesta e desta Linha de Leixões que traz agora os comboios suburbanos de Aveiro para o Hospital São João", enfatizou.
Foi também referido que "o estacionamento é, por excelência, o principal instrumento de regulação da procura do automóvel", sendo uma área em que há "muito por onde trabalhar", considerando que a existência de parques nalgumas zonas da cidade "legitima a redução gradual do estacionamento de rua".
Na componente do estacionamento, abriu também a porta à "implementação os critérios de estacionamento de bicicletas em novas construções, da mesma forma que o Plano Diretor Municipal exige que sejam criados X lugares de estacionamento de automóvel em construções do uso comercial e do uso de serviços".
"Porque não também implementar essa obrigatoriedade para o estacionamento de bicicletas e legitimar e dar confiança aos utilizadores da bicicleta?", questionou Miguel Lopes.
No plano está também prevista a implementação de um sistema de bicicletas partilhadas para "aumentar o acesso à bicicleta", "reforçar a intermodalidade" e "aumentar a captação do transporte público", identificando a OPT 56 locais para estações localizadas ao longo da rede ciclável proposta, mas todas a médio e longo prazo.
A OPT define curto prazo em dois anos, médio até cinco anos e longo entre cinco a 10 anos.
São também propostos oito novos meios mecânicos para auxiliar a mobilidade pedonal em zonas como a Batalha, Galiza, Palácio de Cristal, Virtudes e Via Panorâmica, mas também nas Antas.
No início da apresentação, o vereador com o pelouro da mobilidade, Hugo Beirão Rodrigues, estabeleceu a hierarquia viária seguida pela autarquia: "em primeiro lugar o peão, depois, o transporte público, seguido dos modos suaves e, por fim, o automóvel".
Anunciou também que zonas da rede 30 (limite de 30 quilómetros por hora de circulação) vão começar a ser implementadas "nos próximos dias na zona oriental da Avenida da Boavista, abrangendo áreas como o Campo Alegre, Bessa, Foco e Pinheiro Manso".
No dia 02, a Lusa já tinha noticiado que o PMUS do Porto previa a extensão das linhas de metro Rubi, Rosa e Campo Alegre após a sua vigência, aumento das ciclovias e um quarteirão de 30 km/h na Boavista.
A concretização da Via de Cintura Externa ou a recuperação do Ramal da Alfândega, planos de logística urbana e fiscalização do estacionamento indevidos são outras das medidas do plano.







