
Trocar um apartamento por uma moradia em Viseu pode ficar mais barato
O distrito de Viseu está entre os mercados imobiliários portugueses onde comprar uma moradia pode ser mais barato do que adquirir um apartamento, contrariando a tendência registada nas principais áreas metropolitanas e destinos turísticos do país, segundo um estudo ontem divulgado pelo portal imobiliário Imovirtual.
A análise, baseada nos preços médios de venda registados nos últimos três meses e comparados com o mesmo período de 2025, conclui que em Viseu uma moradia custa, em média, menos 122.500 euros do que um apartamento equivalente.
O distrito surge entre aqueles onde esta diferença é mais acentuada, apenas atrás de Coimbra, onde a diferença média é de menos 165.000 euros, e de Castelo Branco, com menos 150.000 euros.
Além de Viseu, o estudo identifica também Guarda, onde a diferença é de menos 80.000 euros, e Bragança, com menos 47.500 euros, como distritos onde a compra de uma moradia representa um investimento inferior ao de um apartamento.
Em sentido oposto, os maiores diferenciais verificam-se nas regiões de maior pressão imobiliária. Na Madeira, trocar um apartamento por uma moradia implica um investimento adicional médio de 300.000 euros, seguindo-se o Algarve (285.000 euros), Setúbal (260.000 euros) e Lisboa (259.750 euros).
No Porto, a diferença ascende a 145.100 euros e em Braga ronda os 100.000 euros. Segundo o Imovirtual, estas diferenças refletem sobretudo a distribuição geográfica da oferta. Enquanto os apartamentos estão maioritariamente concentrados nas grandes cidades, em empreendimentos recentes e zonas de maior procura, muitas das moradias disponíveis localizam-se em concelhos do interior, onde os preços continuam mais baixos.
O estudo revela ainda que esta tendência também se verifica nas diferentes tipologias.
Nas habitações T1, as moradias apresentam um preço médio inferior em 143.000 euros face aos apartamentos. Nos T2, essa diferença aumenta para 190.000 euros e, nos T3, atinge os 185.000 euros. Apenas nas tipologias T4 a diferença praticamente desaparece, fixando-se em cerca de 35.000 euros.
Apesar de, em várias regiões do interior, as moradias apresentarem preços mais baixos, são este tipo de imóveis que mais têm valorizado.
De acordo com os dados da plataforma imobiliária, o preço médio das moradias aumentou 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os apartamentos registaram uma valorização de 2,3%.
O maior crescimento verificou-se nas moradias T3, que registaram uma subida anual de 23,9%, refletindo a procura crescente por habitações com mais espaço.
Citada no estudo, a responsável de Marketing do Imovirtual, Sylvia Bozzo, considera que existe uma perceção generalizada de que a mudança de um apartamento para uma moradia implica sempre um investimento muito superior, mas sublinha que essa realidade depende cada vez mais da localização.
Segundo a responsável, nos grandes centros urbanos a diferença continua a ser elevada, enquanto em vários mercados do interior é possível adquirir uma moradia por um valor inferior ao de um apartamento.
O estudo conclui que o mercado imobiliário nacional apresenta hoje diferenças territoriais cada vez mais marcadas, sendo a localização o principal fator que determina o custo de passar de um apartamento para uma moradia.







