
Ainda há professores com respostas incompletas de exames para classificar
Há professores classificadores ainda à espera de folhas de resposta dos exames nacionais em falta e outros a quem está a ser pedido que reavaliem itens já classificados, revelaram os movimentos MetaPROF e Missão Escola Pública.
A poucos dias do prazo para concluir o processo de classificação dos cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário, os dois movimentos cívicos de professores continuam a receber relatos de problemas.
As respostas incompletas continuam a ser um dos problemas, segundo Cristina Mota, porta-voz do Missão Escola Pública.
“Os testemunhos que temos aqui mostram que as folhas de continuação continuam a ser um problema”, corrobora Pedro Brito, do MetaPROF.
Com o prazo a apertar, muitos professores classificadores têm questionado os supervisores sobre como resolver o problema.
A Lusa teve acesso a três respostas em que foi dito aos docentes que, caso as folhas não chegassem até terminar o prazo, então que classificassem os itens tal como estavam.
Num dos fóruns, um supervisor confrontado com este problema respondeu na quarta-feira: “Deve aguardar que lhe enviem a página em falta. Se isso não acontecer até ao fim do processo, deve classificar com os dados que tem”.
Outros dois professores relataram ter recebido a mesma indicação de um supervisor que concluiu dizendo “o aluno mais tarde poderá recorrer”.
Questionado pela Lusa, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) garantiu não ter dado orientações nesse sentido e recordou que tinha sido implementado um sistema de reporte de eventuais desconformidades dos itens (botão “Reportar”).
Foi esse botão que um professor avaliador disse ter usado na segunda-feira e novamente esta sexta. Sem qualquer resposta, voltou a questionar no fórum sobre o que fazer caso não chegassem as folhas em falta até dia 14 e o supervisor defendeu que a “opção mais lógica” seria classificar com o que tem, já que “para terminar o processo terá de ter todas as provas classificadas".
O EduQa diz ter feito na noite de quinta-feira “uma intervenção generalizada, permitindo a contínua procura de normalização do processo de classificação”, tendo em conta os reportes dos professores.
A Lusa questionou o Ministério da Educação, ciência e Inovação (MECI) e o EduQa sobre se os professores que tinham reportado folhas de continuação em falta já as tinham recebido e se ainda havia itens incompletos, mas ainda não obteve resposta.
O movimento MetaPROF também recebeu documentos e testemunhos que confirmam que estava a ser dito aos professores que classificassem os itens como estavam caso as folhas em falta não chegassem atempadamente.
Mas Pedro Brito diz que houve “uma mudança de discurso nos fóruns: As respostas dos supervisores mudaram de `classifique com os dados que tem´ para `dirija a questão ao Júri Nacional de Exames´”, disse à Lusa.
Desde o início do processo de classificação digital dos exames nacionais, o MetaPROF recebeu 561 testemunhos, dos quais 95 estavam relacionados com problemas com as folhas de continuação e 61 professores disseram ter recorrido ao mecanismo oficial de "reportar", segundo um balanço feito ontem.
Os dois movimentos cívicos de professores contam que surgiu uma nova queixa dos professores, que estão a receber muito mais trabalho e respostas para avaliar que já tinham sido avaliados.
O porta-voz do MetaPROF apelou aos professores para que “não classifiquem provas no fim de semana nem à noite. O tempo é de família e de descanso”.
O Governo anunciou ontem o pagamento de horas extraordinárias aos professores classificadores, mas Cristina Mota diz ter sido “apenas um anúncio para a comunicação social, já que é uma comunicação vazia de conteúdo”.
“É uma medida positiva porque finalmente se conclui que o trabalho de avaliação é extraordinário e tem de ser remunerado, mas não dizem valores, nem como vão ser apuradas essas horas”, criticou a professora.







