
Venda de livros cai 2% e regista primeira quebra desde a pandemia no 2.º trimestre
Segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), entre abril e junho deste ano, foram vendidos 3.260.088 livros, menos 17.869 (-1,9%) do que no período homólogo do ano passado.
Estas unidades de venda traduziram-se num encaixe financeiro de 47.251.783 euros, menos 431.294 euros (-1,8%) do que em 2025, de acordo com os dados disponibilizados à APEL pela Gfk, entidade independente que faz auditoria e contagem das vendas de livros ao longo do ano.
O período a que estes números dizem respeito coincidiu com a Feira do Livro de Lisboa, evento que costuma ser um dinamizador do mercado, fazendo deste, o trimestre de maior crescimento.
Nos últimos quatro anos, só 2023 teve uma subida mais ligeira (na ordem dos 2,3%), mas coincidiu com um aumento de 3,9% do preço médio do livro.
No caso deste trimestre, não há uma subida de preços significativa que possa justificar esta quebra nas vendas, antes pelo contrário, já que o preço médio do livro praticamente estabilizou, tendo tido um aumento de apenas 0,1%.
No ano passado, entre abril e junho, a venda de livros subiu quase 10% e teve um encaixe financeiro de mais 11%, em relação ao ano anterior, num período em que o preço médio do livro tinha aumentado 1,2%.
Esta é a primeira vez que se verifica uma queda na venda de livros desde a pandemia, pois desde 2021 que o mercado tem demonstrado um crescimento sustentado.
Os dados hoje divulgados dão ainda conta de que neste segundo trimestre, foram postos à venda 2.085 novos livros.
Quanto aos pontos de venda, 70,7% dos livros vendidos foram escoados por livrarias, enquanto 29,3% foram vendidos por hipermercados. Isto reflete-se igualmente nos valores das vendas, já que 79,2% do total arrecadado no mercado livreiro foram repartidos pelas livrarias e 20,8% ficaram com os hipermercados.
Por categoria, o género mais procurado foi a literatura infantojuvenil, com o maior número de unidades vendidas - 36,7% do total -, a um preço médio de 11,49 euros, que contribuem com 29,1% para o encaixe financeiro total, abaixo da receita das vendas de ficção e não-ficção.
Em segundo lugar, em termos de unidades vendidas, está a ficção, com um peso de 34,1% do mercado, a um preço médio de 16,68 euros por livro, conseguindo um valor correspondente a 39,2% do total das vendas.
Os livros de não-ficção representam 25,6% das unidades vendidas neste período, a um preço médio de 17,36 euros, e obtêm 30,7% do valor total de vendas.
O género menos representativo - campanhas e exclusivos - contribuiu com 3,6% em número de unidades vendidas, 1% do valor final apurado, tendo o preço médio destas publicações rondado os 4,07 euros.
No início deste mês, durante a apresentação da próxima edição do Book 2.0, que se realiza em setembro, o presidente da APEL, Miguel Pauseiro, considerou ser necessário convocar todas as áreas governamentais, para conseguir que o livro chegue mais longe, porque o país “precisa de estratégia para o livro e para a literacia”.
Na altura, Miguel Pauseiro recordou que Portugal apresenta dos níveis mais baixos da Europa em indicadores como a literacia, a compra de livros e o número de livrarias especializadas, alertando que começam a surgir sinais de inversão nos índices de leitura e de compra de livros a nível europeu, o que é particularmente preocupante para o país.
“Temos de acelerar, ainda mais porque começa a verificar-se na Europa uma inflexão”, afirmou, defendendo que uma tendência de recuo na Europa poderá ter consequências ainda mais gravosas num mercado que já parte de uma posição mais fragilizada.







