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Utilização de águas residuais tratadas na rega de vinhas sem impacto na saúde pública

“Não há perigos para a saúde pública para quem para beber estes vinhos provenientes das vinhas que foram regadas com águas residuais tratadas"

Investigadores concluíram que a utilização de águas residuais tratadas na rega das vinhas do Douro para a produção de vinho não constitui um perigo para saúde pública, anunciou hoje o consórcio Regadouro.

Em declarações à agência Lusa, a docente e investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Ana Novo Barros disse que, a partir do momento em que foram estudados 220 pesticidas e fitofármacos, ao longo dos três anos do projeto, conclui-se que não há perigos para a saúde pública e para quem beber os vinhos resultantes destas vinhas regadas com águas residuais tratadas.

“Não há perigos para a saúde pública para quem para beber estes vinhos provenientes das vinhas que foram regadas com águas residuais tratadas, porque não se registou a presença dos 220 pesticidas e fitofármacos, testados durante o projeto, e não se encontram presentes nos vinhos provenientes das parcelas de videiras estudadas”, referiu a investigadora.

Segundo Ana Novo Barros, as águas residuais apresentam um tratamento semelhante às águas de furos (artesianos) e não evidenciaram um aumento na concentração de resíduos dos pesticidas ou fitofármacos.

"Quando utilizamos a terminologia resíduos pensa-se logo em algo de prejudicial, e aqui não é o caso porque as águas residuais são tratadas e iguais a furos de rega”, justificou Ana Novo Barros.

Os ensaios desenvolvidos aconteceram no âmbito do projeto-piloto Regadouro, que decorreu na Quinta de Vale de Cavalos, localizada na Região Demarcada do Douro (RDD), no concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.

Neste projeto-piloto foram instaladas parcelas experimentais sujeitas a diferentes estratégias.

De acordo como os investigadores, os resultados das monitorizações técnico-científicas realizadas ao longo de três anos e as campanhas de rega no âmbito do projeto-piloto confirmam a ausência de impactos negativos nas propriedades do solo e da videira regada com águas residuais urbanas tratadas - designadas de Águas para Reutilização (ApR) -, por comparação com a rega convencional com água de furo.

“Os estudos evidenciam também que o solo manteve o seu equilíbrio químico e as microvinificações realizadas no âmbito das monitorizações atestam a ausência de qualquer influência adversa na maturação da uva e nos parâmetros de qualidade e segurança do vinho final produzido”, indica a investigação.

Durante o projeto, foram comparadas parcelas regadas com ApR, parcelas regadas com água de furo e parcelas sem rega, permitindo avaliar o comportamento da vinha em diferentes condições de disponibilidade hídrica.

Esta iniciativa foi criada para responder à crescente ameaça das alterações climáticas e à escassez hídrica na RDD, e teve como objetivo demonstrar a viabilidade técnica, ambiental e regulamentar da utilização das ApR na rega da vinha.

A ApR utilizada foi produzida a partir do efluente tratado da Estação Tratamento Aguas Residuais (ETAR) de Vale da Teja, gerida pela Águas do Norte, recorrendo a um tratamento complementar que combinou filtração com esferas de vidro como meio filtrante e desinfeção por radiação ultravioleta (UV), implementado pela empresa Veolia.

“Esta solução demonstrou uma elevada eficiência, assegurando consistentemente o cumprimento rigoroso de todos os requisitos de qualidade impostos pela legislação para a ApR”, indicam os resultados finais da investigação.

A aplicação de ApR revelou-se ainda uma alternativa sustentável que promove economia circular e uma aliada segura na resiliência e adaptação da viticultura às alterações climáticas.

Os resultados demonstraram que esta água contém nutrientes agronomicamente relevantes, como azoto e fósforo, que são reintroduzidos no sistema solo-planta através da rega, permitindo reduzir potencialmente a dependência de fertilizantes minerais externos.

Participaram neste consórcio de investigação a UTAD, Veolia, Águas do Norte, a produtora de vinhos Poças e a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).

As conclusões do projeto serão apresentadas na quinta-feira, pelas 10:30, no Museu do Côa, em Foz Côa.

Julho 8, 2026 . 18:45

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