
Dinamarca insiste que Gronelândia não está à venda
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reiterou hoje ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que a Gronelândia "não está à venda", depois de este ter insistido que os Estados Unidos deveriam controlar o território autónomo dinamarquês.
"Claro que a Gronelândia não está à venda. Dissemos isto claramente desde o início. Os gronelandeses não querem fazer parte dos Estados Unidos. Eles próprios deixaram isso claro", disse a líder dinamarquesa, à margem da cimeira da NATO, em Ancara, na Turquia, noticiou a agência dinamarquesa Ritzau.
"Isso não vai acontecer", sublinhou, segundo o canal de televisão dinamarquês TV2, e expressou esperança de que "todos" os aliados respeitem a soberania do Reino da Dinamarca, referindo-se aos Estados Unidos.
"Temos boa cooperação com os Estados Unidos em matéria de segurança no Ártico. Queremos expandi-la. Também temos um grupo de trabalho que está a analisar precisamente esta questão neste momento", enfatizou Frederiksen.
A primeira-ministra também sublinhou que a Dinamarca já atinge praticamente a meta da NATO de investimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para defesa, pelo que acredita que o foco deve estar nas ameaças externas e não nas disputas internas entre países da Aliança Atlântica.
"Há muitos inimigos fora da NATO. Não precisamos de inimizades dentro da Aliança", defendeu.
Horas antes, Trump voltou a dizer que a ilha do Ártico deveria ser controlada pelos Estados Unidos e não pela Dinamarca, que, segundo o Presidente norte-americano, não gasta dinheiro para ajudar esse território.
"Foi isso que prejudicou a minha relação com a NATO, porque a Gronelândia não ajuda a Dinamarca. A Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Gronelândia", disse Trump em Ancara.
Acrescentou que a Gronelândia "é uma parte importante para os Estados Unidos e está rodeada por navios chineses e russos", algo que reafirmou sem provas.
Na terça-feira, a Dinamarca anunciou a aquisição de dois aviões de patrulha marítima P-8 Poseidon dos Estados Unidos, com capacidade para detetar navios de guerra inimigos e submarinos, com o objetivo de reforçar a presença no Ártico e no Atlântico Norte.
Trump criticou em Ancara a frente comum formada por aliados europeus no ano passado contra a sua insistente exigência de controlar a Gronelândia, tendo em conta "todo o dinheiro” que os Estados Unidos gastaram “para os ajudar contra a Rússia", e avisou que Washington poderia "retirar todos os soldados da Europa".
As tensões em torno das ambições de Trump sobre a Gronelândia prolongaram-se ao longo de 2025 e só se dissiparam em janeiro, quando o Presidente dos Estados Unidos alcançou um pré-acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, em Davos (Suíça), para reforçar a segurança no Ártico.
Como resultado deste pré-acordo, foi criado um grupo de trabalho de representantes dos Estados Unidos, Dinamarca e Gronelândia para trabalhar em soluções que possam apaziguar as preocupações de Trump.
Em junho, o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, estimou que o grupo deverá concluir o trabalho até ao final do ano.
Esse grupo realizou várias reuniões, cujo conteúdo não foi divulgado, embora os meios de comunicação social anglo-saxónicos tenham salientado que os Estados Unidos poderiam abrir mais bases militares na ilha, ao abrigo de um acordo de defesa assinado há várias décadas com a Dinamarca.







