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“40 anos que também nos prepararam para os grandes desafios que o futuro nos reserva”

Mangualde celebra no fim-de-semana os 40 anos de elevação a cidade. Em entrevista ao Diário de Viseu, o presidente da câmara, Marco Almeida, reconhece o trabalho feito, em particular, ao longo destas quatro décadas que “permitiu ao concelho dar um grande salto qualitativo que o destaca no contexto regional e nacional”. Mas garante que muito há para fazer para que Mangualde seja primeiro em várias áreas

Quarenta anos de cidade em que muita coisa mudou.
Muita coisa mudou e muita coisa há de mudar. É importante realçar que esta celebração não se foca apenas nestes 40 anos porque a história de Mangualde tem muitos séculos de vida. Mas efetivamente, durante estes 40 anos, houve um salto qualitativo muito grande que permitiu que o concelho possa posicionar-se hoje no contexto regional de uma forma que muito nos orgulha. Desde logo porque ao longo destas quatro décadas foi feito um trabalho muito grande nas respostas à comunidade. Naturalmente, que dentro dessas respostas estão infraestruturas que foram criadas e que precisam de continuar a ser melhoradas

Como por exemplo?
Por exemplo, aquilo que estamos a fazer no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Importa realçar, que vamos conseguir cumprir com os prazos da sua execução, num investimento praticamente todo canalizado para a requalificação de equipamentos existentes. Estou a falar do centro de saúde, de escolas, de habitação pública, entre outros, que são muito importantes e que foram vistos por este executivo como uma prioridade. Equipamentos que nos permitem preparar o futuro em três áreas tão importantes como são a saúde, a educação e a habitação. Mas apostando também em novos equipamentos que nos preparem para os próximos 40 anos.

Investimentos já em curso?
Sim. Temos neste momento em execução o maior investimento público de sempre. Além de estarmos a concluir as obras no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, trabalhamos em tudo aquilo que tem a ver com a continuidade da oferta ao cidadão. Exemplo disso é a reabilitação do mer,cado municipal que em breve vai ser inaugurada e que incluiu obras de adaptação para albergar novos serviços, nomeadamente o Balcão Único Municipal. Serviços que visam impulsionar uma nova dinâmica ao espaço onde existem boas acessibilidades e ligações a transportes públicos.

Estamos a dar resposta a muitos dos problemas que o concelho ainda tem do ponto de vista da circularidade e da reutilização de recursos naturais, como a água

Um espaço onde também os produtores do concelho têm um lugar privilegiado.
Sem dúvida, um espaço que é muito importante para nós que estamos integrados em três zonas demarcadas e onde a agricultura tem um papel importante. É o caso do queijo Serra da Estrela, do vinho do Dão, da maçã Bravo de Esmolfe, mas também do mel, dos frutos vermelhos e do olival. Produtos que são a imagem de marca do concelho que queremos moderno, ativo e focado nos novos desafios. E é por isso que estamos a reabilitar grande parte do circulo urbano, que vamos lançar a concurso a central multimodal de passageiros e o nosso hub tecnológico. Um espaço que será atrativo para jovens que pretendem dar resposta a projetos de reconhecimento internacional como a Academia Sthem. Mas também falamos do regresso do ensino superior.

Bases para enfrentarem os desafios dos próximos 40 anos, que são diferentes dos que vivemos até hoje?
Acredito que sim. Desde logo, os desafios da sustentabilidade onde estamos a desenvolver investimentos superiores a 500 milhões de euros em Metanol, Biogás e Hidrogénio. Mas não só! Estamos a dar resposta a muitos dos problemas que o concelho ainda tem do ponto de vista da circularidade e da reutilização de recursos naturais, como a água. Somos dos primeiros concelhos do país que viu licenciada a reutilização da água para fins industriais e agrícolas. Um projeto que nos permite o reaproveitamento e a retirada da pressão hídrica sobre a Barragem de Fagilde. Mas também nos dá a capacidade de fazer chegar este recurso ao nosso forte tecido empresarial.

Que tem vindo a crescer?
Exatamente, o que muito nos orgulha. É importante realçarmos que beneficiamos de uma localização estratégica privilegiada e não podemos perder essa marca. E já estamos a trabalhar numa nova zona de acolhimento empresarial que tem ligação à ferrovia e aos principais eixos rodoviários, como forma de responder à quantidade de empresas que nos procuram diariamente para se fixarem no concelho.

Nós hoje estamos abertos ao mundo. Competimos com a Europa e com o mundo

Reconheceu as mudanças, mas admitiu que ainda há mais para fazer. O quê?
Nós hoje estamos abertos ao mundo. Competimos com a Europa e com o mundo. O nosso país, mas sobretudo estes concelhos integrados na nossa Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões conseguiram, também do ponto de vista da mentalidade dos autarcas, investidores e da comunidade em geral, perceber que temos que ser mais competitivos do ponto de vista do território e não do concelho em si. Estamos a falar de um conjunto de concelhos que precisam de trabalhar muito em rede para poderem ser competitivos. É isso que temos feito e temos tido resultados que nos desafiam a continuar. Por exemplo, tanto na comunidade como no nosso concelho, temos hoje projetos territoriais internacionais. É um orgulho estarmos inseridos em projetos que envolvem concelhos de outros países e de outras culturas que têm necessidades como as nossas, mas também outro tipo de exigências. Aponto, por exemplo, o combate ao despovoamento, que continua a ser o grande desafio e uma das nossas grandes prioridades.

Um problema antigo de difícil resolução que se estende a todo o território!
Infelizmente é verdade. E não basta estarmos aqui a falar em requalificação ou em novos projetos para o futuro se não tivermos um território povoado e com qualidade de oferta, nomeadamente do ponto de vista formativo. Para isso estamos a trabalhar na construção de um concelho mais forte do ponto de vista das respostas que dá à comunidade. Mas também num concelho que esteja no futuro mais capacitado para poder competir com os territórios mais competitivos do ponto de vista do conhecimento. E estamos a conseguir. Fomos o segundo concelho da CIM onde nasceram mais crianças em 2025. Somos o segundo concelho que tem um rendimento por trabalhador por conta de outrém mais elevado da comunidade. Somos o segundo concelho que tem o índice de envelhecimento mais baixo.

Qual é o objetivo que se segue?
Sermos os primeiros nestas e noutras áreas, na região. Mas não queremos ser os primeiros porque sim. Queremos, porque este é um sinal de que o concelho está a fazer o seu caminho e se está a preparar para o futuro e para as novas gerações.

Estamos a falar de muitas pessoas que deram o melhor de si em prol deste concelho em vários setores

Os desafios são diferentes. E as exigências dos cidadãos também?
Claro que sim. Eu diria que hoje, os desafios que a Europa e o mundo nos colocam não se resumem apenas a dar resposta a temas que estão na ordem do dia. Hoje as famílias procuram vários tipos de respostas e exigem-nas do Estado, local ou central. E temos de estar atentos a esses desafios, aproveitarmos todas as oportunidades na área da educação, da saúde, do social, da habitação e da sustentabilidade. Os desafios são muitos, mas a pressão também porque para sermos competitivos não podemos achar que alguma destas áreas pode esperar e darmos prioridade a outras. As prioridades são todas elas.

Mas se a prioridade é já o amanhã, porquê comemorar os 40 anos de cidade?
Porque efetivamente é uma marca da nossa história. Porque estamos a falar de muitas pessoas que deram o melhor de si em prol deste concelho em vários setores e em várias áreas. Da área social ao setor empresarial, da cultura ao desporto e ao associativismo. Do cidadão anónimo que muitas vezes passa despercebido, mas que deu o seu contributo para hoje podermos comemorar estes 40 anos de elevação de Mangualde a concelho cidade.

O que se pode esperar deste momento de comemoração?
Acima de tudo um reconhecimento a quem nos permitiu chegar até aqui e ter orgulho do concelho em que todos vivemos. Mas estas comemorações trazem-nos também um compromisso e a responsabilidade de prepararmos o futuro, de estarmos atentos às oportunidades para que Mangualde continue a fazer esta trajetória de afirmação no contexto regional e nacional. Estou certo que o futuro é risonho, que vai ser com mais e melhores oportunidades para quem escolher este território para viver, investir ou trabalhar. |

Julho 3, 2026 . 08:15

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