
Guarda pressiona Governo a instalar uma das Grandes Áreas Empresariais na cidade
Apresentada por José Valbom, da coligação Pela Guarda/Nós, Cidadãos, que governa a autarquia e tem maioria na Assembleia Municipal, a moção foi aprovada com 76 votos favoráveis.
O ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, anunciou, no final de maio, que o Governo tenciona criar seis Grandes Áreas Empresariais (GAE) no país, no âmbito do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
O objetivo é “reforçar a capacidade de acolhimento de investimento e promover um desenvolvimento mais equilibrado do território”, mas também criar alternativas a Sines, que já não terá capacidade para acolher grandes empresas.
No caso da região Centro, está prevista uma localização no litoral e outra no interior, sendo que a Guarda apresenta “uma localização geoestratégica ímpar, afirmando-se como verdadeira porta de entrada para a Europa”, realça-se na moção, a que a agência Lusa teve acesso.
“Tem excelentes acessibilidades rodoviárias – A23, A25, IP2 e futuro IC7 – e ligação ferroviária pela Linha da Beira Alta, Linha da Beira Baixa e, futuramente, TGV, integrando os principais corredores logísticos ibéricos e europeus”.
A Assembleia Municipal da Guarda lembra que o concelho integra o Grupo de Interesse do Corredor Atlântico e dispõe do único Porto Seco do país, projeto que “reforça a ambição de afirmar a Guarda como hub logístico de referência”.
“Está em curso a quarta fase da PLIE [Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial], o que evidencia a capacidade de expansão e procura empresarial”.
Já o novo Plano Diretor Municipal (PDM), que aguarda publicação em Diário da República para entrar em vigor, vai disponibilizar “mais 1.000 hectares de solo industrial com mais de 600 hectares de reserva, garantindo escala e resposta imediata a investimentos de grande dimensão”.
Outro argumento para a instalação de uma GAE é a criação da empresa municipal Guarda Viva para gerir os parques empresariais.
A Assembleia Municipal recomenda, por isso, à autarquia e à Guarda Viva que disponibilizem “todos os meios necessários, com a brevidade possível, para assegurar uma implementação rápida, coordenada e competitiva deste projeto estratégico para toda a região e para o país”.
Ricardo Neves de Sousa, do PSD, justificou o voto favorável dos sociais-democratas por considerar que a criação de seis GAE é “uma oportunidade rara, daquelas que têm potencial para alterar o rumo de um território durante décadas. A Guarda não pode desperdiçá-la”.
“Mas esta ambição não se concretizará apenas porque a Guarda tem bons argumentos, será necessário vontade política, capacidade de mobilização e uma ação concertada de todas as entidades”, avisou.
O deputado apelou ainda à Comissão Política Distrital do seu partido e à única deputada social-democrata eleita pelo círculo da Guarda para que façam desta candidatura “uma prioridade política junto do Governo”.
Rui Ribeiro, do PS, disse que os socialistas “não poderiam deixar de se associar à ambição de criar na Guarda mais uma área de localização empresarial”.
“Tal como, há 20 anos, o PS ambicionou e criou a PLIE, acompanharemos de perto os desenvolvimentos deste projeto que será, porventura, a primeira prova de fogo da empresa municipal Guarda Viva”, acrescentou.
A moção que reivindica para a Guarda a instalação de uma das Grandes Áreas Empresariais previstas para o interior centro vai ser enviada ao primeiro-ministro e ao ministro da Economia e Coesão Territorial.
Será também endereçada aos três deputados da Assembleia da República eleitos pelo círculo da Guarda [um do PSD, um do PS e um do Chega] e ao presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro).








