
Obras no Estádio do Fontelo deixam atletas sem pista para treinar
As obras associadas às adaptações necessárias após a subida do Académico de Viseu à 1.ª Divisão estão a gerar crescente preocupação e contestação entre atletas, treinadores e famílias ligadas ao atletismo, devido à inacessibilidade da pista utilizada regularmente por dezenas de praticantes.
Ao Diário de Viseu, Ana Paula Pinheiro, juíz de atletismo, afirmou que “a situação está a ser encarada com apreensão por quem depende diariamente desta infraestrutura para a preparação física e técnica, numa altura considerada particularmente importante da época desportiva”.
Sublinhando que “muitos atletas se encontram em fases decisivas de preparação para competições regionais e nacionais, sendo que vários procuram alcançar marcas de qualificação para provas oficiais”, Ana Paula Pinheiro alerta para o facto de “os meses de junho e julho assumirem especial relevância, sobretudo para os escalões mais jovens, já que representam um período fundamental de continuidade competitiva, desenvolvimento técnico e consolidação do trabalho realizado ao longo da temporada. Treinadores e encarregados de educação alertam que uma interrupção nesta fase poderá comprometer a evolução desportiva dos atletas”.
Ana Paula Pinheiro sabe do que fala pois para além de juíz de atletismo, é mãe de dois jovens atletas dedicados, ambos qualificados para os Campeonatos Nacionais (sub 16 e sub18) e passa muitas horas na pista, assim como em diversas provas regionais e nacionais, apercebendo-se do esforço destes jovens.
“A principal preocupação prende-se com a dificuldade em encontrar alternativas equivalentes”, alerta, considerando que “o atletismo exige condições específicas de treino, nomeadamente para trabalhos de velocidade, resistência, técnica e preparação das diferentes disciplinas, algo que dificilmente pode ser replicado noutros espaços”.
Reconhecendo igualmente que “entre atletas e utilizadores da pista cresce também um sentimento de descontentamento, com várias vozes a questionarem aquilo que consideram ser uma recorrente prioridade atribuída ao futebol em detrimento de outras modalidades”, esta responsável lamenta que parece que “mais uma vez o atletismo fica para segundo plano”.
Avançando que esta é uma das críticas que circula entre praticantes e familiares, que “defendem uma maior proteção e valorização das infraestruturas destinadas a modalidades distintas do futebol”, Ana Paula Pinheiro sublinha que “os atletas apelam agora a uma solução que permita assegurar a continuidade dos treinos durante o período das obras, evitando prejuízos na preparação desportiva e garantindo que o desenvolvimento do atletismo na região não seja afetado”.







