
Líder do PSD ainda tem maioria absoluta “na mira”
O presidente do PSD e recandidato ao cargo admitiu que ainda tem a maioria absoluta "na mira", mas apelou ao PS e ao Chega que assumam as responsabilidades de oposição e termine a conversa sobre "cercas sanitárias".
"Eu assumo, o povo português não nos quis dar uma maioria absoluta, mas quis-nos dar uma maioria. Eu gostava muito que os outros assumissem que o povo não lhes quis dar a condução da governação, mas quis-lhes dar a possibilidade de contribuírem para uma boa governação do país. Se cada um cumprir a sua tarefa, o povo português, no fim, vai fazer o juízo do comportamento de cada um", apelou.
Luís Montenegro apresentou em Sintra a moção de estratégia global com que se recandidata à liderança no partido nas eleições diretas de 30 de maio, e salientou que, há exatamente um ano, a coligação PSD/CDS-PP obteve a "confiança maioritária" dos portugueses.
"Às vezes na linguagem política confunde-se maioria absoluta com maioria. Maioria em democracia é ter mais um voto que os outros, maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira", admitiu, reiterando que tal só acontecerá através de eleições e não "na base de nenhum estratagema, conluio ou combinação feita atrás da vontade das pessoas".
Numa intervenção de 45 minutos, Montenegro admitiu que seria "um auxílio muito grande" para a governação dispor dessa maioria, mas recordou que, na última campanha, também PS e Chega defenderam a estabilidade política.
"O povo disse à AD e ao PSD que cabe governar. E o povo disse aos outros que cabe terem uma representação no parlamento em que, nos dois maiores partidos da oposição, um deles, pelo menos, tem de viabilizar aquilo que são as propostas do governo. Ou dito de uma outra maneira, tem pelo menos um deles que não rejeitar a proposta do governo", recordou.
No entanto, lamentou, PS e Chega têm "votado mais vezes um com o outro do que qualquer um deles com os partidos do governo".
Por essa razão, e tal como escreveu na sua moção, o líder do PSD e também primeiro-ministro recusou que se possa fazer "uma cerca sanitária" a qualquer partido, recordando ter dito "não é não" ao Chega mas também "não a um Bloco Central".
"O povo português não pediu a ninguém para fazer nenhuma cerca sanitária com ninguém. Nem ao Chega face ao PS, nem ao PS face ao Chega, porque se o tivesse feito, então, ambos estavam condenados, sem apelo nem agravo, no tribunal, que julgasse o comportamento face ao mandato que receberam do povo, porque eles são os primeiros a entenderem-se um com o outro", disse.
Montenegro confessou até ficar "muito surpreendido" quando o PSD é criticado por "nem sempre" conseguir dialogar com PS e Chega em simultâneo.
"Vamos deixar essas conversas de cercas sanitárias, de quem é que respeita o não a este ou não àquele. Vamos deixar tudo em pratos limpos: nós todos, nomeadamente estes três, têm a liberdade e a possibilidade de se aproximarem uns com os outros. Sim, tema a tema. Sim, instrumento a instrumento", sinalizou.
Para Montenegro, este foi "o contexto escolhido pelos portugueses",
"O que o povo português me pediu foi que eu tivesse convosco, o espírito de abertura, de diálogo e humildade suficiente para compreender os argumentos dos outros e para podermos fazer algumas aproximações", resumiu.








