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Ventura desafia direita a reconfirmar perda de nacionalidade e admite referendo

O presidente do Chega desafiou hoje a maioria de direita a reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade, apesar do chumbo do Tribunal Constitucional, defendendo que, em alternativa, deve ser realizado um referendo sobre esta matéria.

Esta posição foi assumida por André Ventura, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, em reação à decisão do Tribunal Constitucional (TC) de declarar inconstitucional, por unanimidade, a criação da pena acessória de perda da nacionalidade no Código Penal, por violação dos princípios da igualdade e proporcionalidade.

Ventura reconheceu que esta decisão foi uma “derrota do Chega” e disse ter visto o acórdão do TC com “total estupefação”, argumentando que os juízes do Palácio Ratton estão a substituir a vontade da maioria da população e do legislador.

O presidente do Chega rejeitou o entendimento do TC de que o decreto viola o princípio da igualdade, argumentando que "ser português e não ser português não é a mesma coisa e comparando a situação às restrições constitucionais que impedem cidadãos com nacionalidade adquirida de se candidatarem à Presidência da República.

Perante este chumbo, o líder do Chega considera que o parlamento, "com a maioria que há hoje", deve reconfirmar o decreto “independentemente da interpretação” do tribunal e disse que procurará ainda hoje falar com o líder do PSD para transmitir essa intenção.

“Nós já percebemos que este Tribunal Constitucional não vai aceitar nunca que quem cometa crimes perca a nacionalidade portuguesa. Portanto, é indiferente que haja mais violadores, é indiferente que haja mais homicidas, mais terroristas. O Tribunal não vai aceitar que quem obtenha a nacionalidade portuguesa e cometa crimes, a perca”, afirmou, alegando que esta foi uma decisão política do Palácio Ratton.

A maioria com que este decreto foi aprovado, superior a dois terços dos deputados presentes, permite a sua eventual confirmação no parlamento, mesmo perante as inconstitucionalidades declaradas pelo TC, nos termos da Constituição.

Caso não exista um entendimento com o PSD para formar essa maioria de dois terços, Ventura propõe que se realize um referendo para “ouvir o que é que as pessoas pensam”.

“Vamos perguntar aos portugueses assim: Para aqueles que adquiriram nacionalidade portuguesa e cometem crimes de terrorismo, de violação, de homicídio, de sequestro e até outros, concordam ou não que eles percam a nacionalidade portuguesa?”, questionou.

O presidente do Chega alegou que os portugueses discordam da decisão tomada pelo Tribunal Constitucional e querem ver este decreto em vigor.

“Se calhar unânime será também a decisão do povo português”, disse após ser questionado sobre a unanimidade da decisão do TC.

O Tribunal Constitucional (TC) voltou hoje a declarar inconstitucional, por unanimidade, a criação da pena acessória de perda da nacionalidade no Código Penal, numa segunda versão do decreto do parlamento, por violação dos princípios da igualdade e proporcionalidade.

Já em 15 de dezembro passado, o TC, também por unanimidade, tinha declarado inconstitucional a primeira versão deste decreto, que nas duas vezes foi aprovado no parlamento com votos a favor de PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal.

Tal como no final do ano passado, também desta vez foi o PS quem, em 07 de abril passado, submeteu ao TC um pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade da alteração do Código Penal para criar a pena acessória de perda de nacionalidade.

Maio 8, 2026 . 20:30

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