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“Memórias do Teatro da Cornucópia” no Teatro Viriato

Documentário realizado por Solveig Nordlund é apresentado esta sexta-feira em Viseu

‘Memórias do Teatro da Cornucópia’, documentário realizado por Solveig Nordlund, é apresentado esta sexta-feira, às 21h00, no Teatro Viriato, em Viseu. O filme acompanha mais de quarenta anos da história do teatro de intervenção da companhia cofundada por Luis Miguel Cintra.

A realizadora conhece bem o início e os anos que se seguiram, tanto quanto podia permitir a partilha do mesmo edifício, na rua Tenente Raul Cascais, em Lisboa, pela Cornucópia e a cooperativa de cinema Grupo Zero, que fundara com o realizador Alberto Seixas Santos em 1974.

 

“A ideia de fazer um documentário sobre o Teatro da Cornucópia surgiu realmente quando fecharam", disse a cineasta

A ideia de fazer um documentário sobre o Teatro da Cornucópia surgiu realmente quando fecharam", disse a cineasta à Lusa. "Eu sabia que havia este material documental sobre a companhia, nos arquivos da RTP, tantas tinham sido as peças gravadas para televisão". Por isso, pôs mãos à obra.

O documentário conta com narração de Luis Miguel Cintra e de Cristina Reis, a figurinista e cenógrafa que se manteve até ao fim da companhia. Os dois resistentes.

Entre outubro de 1973, quando a Cornucópia se estreou no Teatro Laura Alves, em Lisboa, com “O Misantropo”, de Molière, e dezembro de 2016, quando encerrou portas, no prédio onde hoje se encontra o Teatro do Bairro Alto, foram levadas a cena mais de 120 criações, algumas em estreia mundial, em 5100 representações, numa média de três novos espectáculos por ano, durante mais de quatro décadas.

Ao longo do filme, conjugam-se memórias de Luis Miguel Cintra e de Cristina Reis, com imagens de arquivo. Há excertos de entrevistas, de reportagens e de muitos espetáculos da companhia.

Para a realizadora, a Cornucópia constitui exemplo da “juventude que tomou conta de um teatro. [...] Uma coisa que já não existe e que hoje seria impensável”, frisou.

‘Memórias do Teatro da Cornucópia’ é também sobre a vida dos que fizeram a companhia, daqueles que efetivamente construíram o teatro - a primeira caixa negra existente em Portugal -, que sonharam e tornaram real um espaço sem plateia fixa, feito para receber, acolher e ser "transformado como se deseja", como Cristina Reis recorda no filme.

O fim da Cornucópia, em 2016, surgiu como inevitável à realizadora. “Era difícil prolongar aquela companhia. A Cristina [Reis] não tanto, mas Luis Miguel, já doente, não tinha físico para prolongar o trabalho”. Além do mais, afirmou, também não havia quem o pudesse prosseguir.

‘Memórias do Teatro da Cornucópia’ termina com o desmantelamento da companhia, a retirada do seu acervo, o espaço vazio, as portas encerradas. “A Cornucópia começou com uma festa de amigos e acabou com um funeral”, diz Luis Miguel Cintra na sequência final do documentário.

Março 25, 2026 . 11:30

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