Última Hora
Inova26 Bannertopo Ate 3105
Pub

Direitos humanos sob ataque em grande escala pelos mais fortes, denuncia Guterres

António Guterres indica que “esta crise de respeito pelos direitos humanos não é um caso isolado” e “reflete e amplia todas as outras fraturas globais”

Os direitos humanos “estão sob ataque em grande escala em todo o mundo”, levado a cabo “por aqueles que detêm o maior poder” e, por vezes, até “com orgulho”, denunciou hoje o secretário-geral das Nações Unidas.

“O Estado de direito está a ser substituído pelo Estado de força. E este ataque não vem das sombras nem é uma surpresa. Está a acontecer à vista de todos e, muitas vezes, liderado por aqueles que detêm o maior poder. Em todo o mundo, os direitos humanos estão a ser deliberada e estrategicamente reprimidos, e, por vezes, com orgulho”, declarou Guterres, intervindo, em Genebra, na sessão de abertura da 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O secretário-geral advertiu que as consequências deste ataque “são devastadoras”, apontando que as pessoas sofram assim “duas vezes: primeiro com a violência, a opressão ou a exclusão, e, depois, novamente com a indiferença do mundo”.

“Vivemos num mundo onde o sofrimento em massa é ignorado, onde os seres humanos são usados como moeda de troca, onde o direito internacional é tratado como um mero inconveniente. Os conflitos multiplicam-se e a impunidade tornou-se contagiosa. Isso não se deve à falta de conhecimento, ferramentas ou instituições. É o resultado de escolhas políticas”, deplorou o antigo primeiro-ministro português.

Segundo António Guterres, “esta crise de respeito pelos direitos humanos não é um caso isolado” e “reflete e amplia todas as outras fraturas globais”, já que “as necessidades humanitárias estão a explodir, enquanto o financiamento entra em colapso”, “as desigualdades estão a aumentar a uma velocidade impressionante, os países estão a afogar-se em dívidas e desespero, e o caos climático está a acelerar”.

O líder das Nações Unidas sublinhou também que “a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, está a ser cada vez mais utilizada de formas que suprimem direitos, aprofundam a desigualdade e expõem pessoas marginalizadas a novas formas de discriminação, tanto online como offline”.

“Em todas as frentes, aqueles que já são vulneráveis estão a ser empurrados ainda mais para as margens. E os defensores dos direitos humanos estão entre os primeiros a serem silenciados quando tentam alertar-nos”, lamentou, reforçando que, “nesta ofensiva coordenada, os direitos humanos são as primeiras vítimas”.

Expondo um retrato devastador a nível global, o secretário-geral da ONU apontou que é hoje evidente um “aperto cada vez maior do espaço cívico”, com “jornalistas e ativistas presos, ONG [Organizações Não-Governamentais] fechadas, direitos das mulheres em retrocesso, direitos das crianças ignorados, pessoas com deficiência excluídas e democracias em erosão”.

“O direito de reunião pacífica é esmagado – e condeno mais uma vez a recente repressão violenta aos protestos no Irão. Os migrantes são perseguidos, detidos e expulsos, com total desrespeito pelos seus direitos humanos e pela sua humanidade. Os refugiados são transformados em bodes expiatórios. As comunidades LGBTIQ+ são difamadas. As minorias e os povos indígenas são alvo de ataques. As comunidades religiosas são atacadas”, prosseguiu.

Aludindo à sua história pessoal, na última vez que discursou como secretário-geral na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos, apontou que “crescer sob a ditadura de Salazar” lhe ensinou que “a negação dos direitos humanos corrói todos os aspetos da sociedade.

“Quando o Conselho de Segurança está paralisado, quando os vetos servem de escudo político, quando as rivalidades geopolíticas prevalecem sobre a proteção dos civis, o resultado é o mesmo: a impunidade espalha-se, o sofrimento multiplica-se e os direitos humanos são pisoteados”, disse.

“Precisamos de um Conselho de Segurança que reflita o mundo de hoje, não o de 1945”, acrescentou.

Fevereiro 23, 2026 . 14:15

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right