
“Estava numa cadeira de conforto, mas decidi vir para a minha cadeira de sonho”
Quais são os projetos-âncora do seu primeiro mandato?
O nosso projeto âncora é a ligação à A24, foi algo que assumimos, aliás, todas as candidaturas a esta autarquia tiveram isso como bandeira e eu não fujo à regra. Vamos avançar agora com a contratação do projeto, que estará finalizado, à partida, no final de fevereiro. Trata-se de um projeto mais ambicioso que o que ficou na gaveta em 2015, quando Passos Coelho venceu as eleições mas perdeu na secretaria. Mas é um projeto mais ambicioso, é um investimento de cerca de 8 milhões, um pouco distinto do anterior, que era de cerca de um milhão e meio.
Estamos a falar de 3 quilómetros de estrada de variante, que vai fazer toda a diferença para o nosso concelho, que é aquele que mais maçã produz no país, com cerca de 80 milhões de quilos.
Este é o principal projeto, mas não depende de nós. Gostaríamos de o fazer com fundos próprios, mas isso não é exequível. Já estamos a fazer estudos nesse sentido, vamos agora avançar numa fase imediata para tentar colmatar o sítio crónico, que é na vila de Fontelo, vamos avançar com a colocação de semáforos no final de fevereiro, de volumetria, ou seja, sempre com o pesado passar de um lado e do outro lado fica vermelho, para haver um trânsito alternado e nunca haver o cruzamento de pesados ali onde prejudica muito as pessoas naturalmente. E também em situações de emergência é sempre um problema crónico.
Mas também vamos avançar com a ampliação de regadio do Monte Raso. Precisamos de ter água, assumo isso, há falta de água no concelho. Dizem as entidades que a água em alta é suficiente para o consumo, mas depois o que é certo, com algumas ruturas que vamos verificando, não se verifica que haja água suficiente para a população.
Queremos que não falte água à população, mas logo a seguir vamos atrás dessa ampliação, que a barragem de Temilobos já abrange bastante área, mas estamos a falar aqui de 700 hectares que é necessário irrigar e a água é o nosso bem mais precioso. Também já encetámos contactos, porque nós só tomamos posse há dois meses, não podemos em dois meses mudar ou fazer diferente daquilo que foi feito, coisas boas, coisas menos boas no passado, mas dizer-lhe que a água é um bem essencial.

No seu discurso de tomada de posse priorizou a educação como um pilar central da nossa ação. Quais serão as primeiras medidas para dar seguimento a esta prioridade?
Há duas faixas etárias que não podem ficar ao abandono e têm que ter a máxima atenção deste executivo e de mim próprio, que são os mais jovens e os menos jovens. A educação é uma bandeira, vamos avançar com a requalificação do Agrupamento de Escolas Gomes Teixeira, num investimento que ronda os 6,2 milhões de euros. A escola está descontinuada, ela foi feita, salvo erro, há 30 anos, tem 30 anos o agrupamento de escolas.
É com candidatura, é com apoio do Governo Central, mas é algo que vai dar melhores condições aos nossos alunos. O que eu entendo é, tendo melhores condições físicas, logo a educação vai ser melhor. Ainda com algum atraso, culpa também dos sucessivos governos, temos o pavilhão municipal que foi edificado em 2024, o que já é um bom pronúncio de mudança.
Agora, com a requalificação do agrupamento de escolas, vamos tentar criar um ambiente melhor para os alunos, porque o futuro é deles. Em relação à educação também, vamos ter trazer o ensino profissional para Armamar. Temos de passar a mensagem aos nossos jovens que há possibilidade de se manterem por cá, estamos a falar da engenharia agrícola, engenharia agrónoma, enologia, há aí uma panóplia de cursos profissionais que podem dar acesso a que eles se fixem cá, porque, quer queiramos, quer não, e eu fico muito satisfeito, a locomotiva do concelho é a agricultura.
A indústria, todos são importantes, o turismo, todos os setores de trabalho ou de vida ativa são importantes, mas sendo a agricultura a nossa locomotiva é para ela que temos que olhar mais afincadamente.
Portanto, o ensino profissional há de ser uma realidade, temos imóveis da autarquia que, não digo que estão devolutos, mas estão um pouco degradados, como as antigas casas do povo que ficaram por aí esquecidas, nós só temos que estruturar, optar, tal como outros concelhos limítrofes, por um regime de internato e eles ficarem cá toda a semana, ficarem cá os estudantes, vêm os pais ao fim de semana, isto não é só para os alunos do concelho de Armamar, é para todos que queiram vir para o ensino profissional de Armamar.
Portanto, a educação, a pavimentação das rodovias, a ligação à A24, estamos a falar das rodovias, estamos a 20% de ter o concelho todo pavimentado de novo, deve-se também a muito esforço do anterior executivo, e a nossa ambição pavimentar as poucas ligações que faltam pavimentar.
Ligação à A24, ensino profissional em Armamar, requalificação do agrupamento escolar, habitação, turismo e água são prioridades do primeiro mandato
Qual será a sua estratégia para tornar o concelho mais atrativo ao investimento privado, nomeadamente no turismo, para potenciar o aumento de postos de trabalho no território?
Vamos apoiar o turismo, porque nos últimos anos houve um aumento de cerca de 700% no número de dormidas em Armamar, e temos aqui grandes empreendimentos como, por exemplo, o Vila Galé, a Quinta de São José do Barrilário, que pertence ao Grupo Pacheca, a Quinta da Barroca, recentemente adquirida por um consórcio penso que israelita. Temos já grandes grupos enraizados aqui, temos os alojamentos locais que nunca descuramos, para nós é tão importante quem tem 50 quartos como quem tem um, tudo o que seja oferta turística terá o nosso apoio, pelo menos na divulgação.
Iremos estar em breve na FITUR, em Madrid, para levar o melhor de Armamar e os seus produtos endógenos, e também na BTL e em tudo o que seja a promoção do nosso concelho, nós estaremos na linha da frente. Na Quinta da Barroca há um investimento de cerca de 40 milhões de euros, que penso que são 40 postos de trabalho diretos, e alguns indiretos, mas temos também, na antiga Destildouro, com a Primosfera, que é a empresa para a Quinta da Penha, que será um hotel de excelência, a um patamar possivelmente igual ou superior ao nosso Six Senses, que é do concelho de Lamego, que será um hotel de excelência, um hotel rural de excelência, que tem cerca de 100 postos de trabalho.
Nós precisamos destes investimentos como do pão para a boca, são muito importantes porque o concelho tem de avançar e é minha intenção que as gruas voltem a estar ao alto, é preciso também nos jovens, a tal faixa etária que não posso descurar, através da educação naturalmente, mas nós, agora com a construção do Centro de Saúde, que penso que estará finalizado até ao final deste ano, de 2026, a zona limítrofe do centro de saúde são cerca de 4 hectares, que serão em breve propriedade da autarquia, é para lotear para arrendamento jovem.
Teremos que arranjar o regulamento próprio, já falei com os serviços informalmente, este loteamento, que tenha 30, 40 lotes, serão disponibilizados a jovens, a jovens casais com ou sem filhos. O que importa perceber aqui é que nos 2 ou 3 imóveis que queremos adquirir para loteamento, para habitação que há escassez da habitação, há alguma procura e pouca ou nenhuma oferta, nós temos que regulamentá-los e vendê-los como habitação própria permanente, primeira habitação, não habitação secundária, que o fácil seria termos lotes a preços apelativos, vinha alguém com algum poder económico, adquiria os lotes e depois vendia-os por o dobro ou triplo.
Nós temos que dar habitação acessível, ou lotes, ou mesmo habitação, adquirir imóveis.
Tem havido muita procura ultimamente?
Tem havido, também com os imigrantes, eu respeito muito a imigração, sou de uma família de imigrantes, os meus pais estiveram no estrangeiro cerca de 30 anos, e quem vier por bem é bem-vindo. E nós precisamos de mão de obra.
E essas pessoas que vêm para o concelho vão ter habitação?
Vão tendo, entre alugueres e tudo mais, mas há cidadãos, inclusive estrangeiros, que já se fixaram por cá, nomeadamente alguns nepaleses, já constituíram famílias, estão por cá. Fico muito feliz que decidam constituir família e se fixem no nosso concelho, seja qual for a nacionalidade que têm.
Na tomada de posse, falou em continuidade e melhoramento do que foi feito nos três mandatos anteriores. De que forma irá trabalhar para cunhar este mandato como o primeiro de Márcio Morais e não o quarto de João Paulo Fonseca?
Tenho muita estima e consideração pelo anterior presidente, João Paulo Fonseca, é meu amigo desde a infância, apoiou-me a 100%, soube sair, não faz sombra, é leal, amigo e uma pessoa de bem. Respeito muito o que foi feito, mas agora quero fazer algo diferente e se possível melhorar.
Falo muitas vezes com ele e peço-lhe conselhos. Vou aproveitar o melhor que foi feito pelos anteriores executivos, fossem quem fossem, neste caso era também da mesma cor partidária, mas mesmo que fosse do outro partido, aproveitar o melhor do que foi bem feito, melhorar o que foi menos bem feito. Portanto, não é de todo um mandato de continuidade, há projetos do PRR que vão fechar, vamos fechá-los nós, mas as candidaturas agora são autónomas, são nossas, são deste executivo e temos outra visão, digamos.

Como encontrou o município em termos de saúde financeira?
De saúde financeira encontrei uma autarquia não endividada, com recursos próprios, fizemos a internalização da PPP, custou cerca de 1 milhão e 200 mil euros, para voltar a nós o que estava alocado, ainda que a raiz fosse nossa, o que estava alocado à PPP eram os armazéns e o terreno do centro de saúde, passará tudo em breve, estamos na fase final da internalização da PPP, passamos a ter os imóveis, portanto a câmara respira saúde, muito fruto do executivo anterior, respira transparência e é assim que vai continuar.
Agora, ainda que tenhamos uma maior capacidade de endividamento, muito fruto do trabalho do anterior executivo, o que é certo é que numa altura como esta, se queremos que a Armamar dê o salto, e assumo isso já aqui, nós temos que contrair dívida para haver investimento, não podemos fazer uma gestão corrente, temos algum dinheiro, vamos pagando despesas correntes, mas não é esse o meu objetivo, há que haver ambição, e a ambição que tenho, portanto, assumo também que se tiver que criar dívida mas ter investimento fulcral para o concelho e para a sua evolução, isso assumo que farei.
E o seu projeto autárquico está formatado para três mandatos e para 12 anos?
Vou-lhe dizer que não era esta a altura que eu pretendia para ser candidato, mas avancei por vicissitudes e por desafios lançados. Estava confortável como diretor do Centro de Emprego de Lamego, que agrega nove concelhos, estava numa cadeira de conforto e optei por avançar para vir para a minha cadeira de sonho, ainda que às vezes possamos ser acusados de ser jovens demais, no meu caso tenho 40 anos, e aqui em Armamar rotula-se muito, “ainda é muito jovem”, depois chegamos aos 50 e de repente continuamos a ser jovens, e quando já temos 60 já somos velhos e não servimos para nada.
E há aqui este estigma em Armamar que eu nunca percebi muito bem. Por onde passei, fui coordenador do Espaço Cidadão de Armamar, penso que fiz um excelente trabalho, ser nomeado diretor do Centro de
Emprego foi algo que eu não pedi a ninguém e aconteceu naturalmente em nove meses, apenas nove meses que lá estive e eu sou humilde, mas reconheço também que deixei saudade, os colaboradores gostariam muito que eu ficasse nessa nomeação de três anos em Lamego, mas vim para a minha cadeira de sonho.
Trabalharei para 12 anos, naturalmente, estou com esse foco, com base no meu trabalho, porque não voltarei a ser candidato daqui a quatro anos se não cumprir os meus objetivos.
Tudo o que esteja ao meu alcance que seja exequível fazer eu irei cumprir, mas tudo o que dependa de terceiros, nomeadamente do Governo Central, a ligação à A24, já precisamos dela há 20 anos, já a temos na gaveta há 10, gostava muito que arrancasse em 2026, mas é utópico dizê-lo, mas se arrancar, fico muito satisfeito, se for feita no primeiro mandato, tanto melhor, mas se for feita nos 12 anos, ao menos fica uma obra de mandato.
Mas há outras situações como a ligação pedonal Armamar, Travanca e Aldeias, será uma realidade para este mandato, urge haver uma ligação pedonal, até porque há empreendimentos comerciais na zona de Travanca, que é uma aldeia que faz parte da freguesia de Armamar, e urge termos aqui uma ligação pedonal, uma ciclovia, como há noutros locais, porque Armamar é um concelho belo e atrativo.
“Espero deixar Armamar, em 2037, mais evoluída, com uma zona industrial mais ambiciosa, com mais postos de trabalho e mais serviços”
Se cumprir os três mandatos autárquicos, como espera deixar Armamar em 2037?
Penso nisso todos os dias, sabe? Acredito que trabalharei para ficar cá os três mandatos, espero deixar Armamar mais evoluída, com uma zona industrial mais ambiciosa, com mais postos de trabalho e com mais serviços. Ainda que os sucessivos governos insistam na descentralização de competências, nomeadamente na saúde, sem lhe anexarem um envelope financeiro que acompanhe as necessidades. Ou seja, eles descarregam-nos as competências, como foi na educação, que é uma sobrecarga enorme, e o envelope não é suficiente para fazer face às despesas. O mesmo acontece na saúde.
E nem tudo o que vier agora, e digo-o frontalmente, em relação aos serviços públicos, a estas situações, nomeadamente das finanças, de estarem, e eu também trabalhei na AT, de estarem, só por marcação, estarem abertos até às 12h30, não haver tesouraria, para mim isso é grave.
Se é esta a política da autoridade tributária, de encerrar serviços, de não se fazer pagamentos, então que fechem a porta, que nos aloquem a nós esses serviços AT e nós fazemos pagamentos e temos porta aberta das 9h00 às 17h00 para os serviços AT e da segurança social.
Sou veemente contra o encerramento dos serviços públicos, e aqui temos uma estreita ligação com o serviço de finanças e da Segurança Social, mas estas decisões vêm de um nível superior e eles só têm de obedecer. Mas não concordo que, neste meio rural, não haja pagamento nos serviços de finanças, não só aqui, em todos os concelhos, pelo menos no Distrito de Viseu, e não haja pagamentos nas tesourarias das fazendas públicas das finanças. Que aloquem a nós, que estamos disponíveis para fazer esse serviço.
Se daqui a quatro anos, em 2029, a população tiver crescido 5% ou 10% já ficará satisfeito?
Se não perdermos população, já fico satisfeito, prefiro ficar dessa forma porque é a realidade. Sistematicamente, de quatro em quatro anos perdemos população, logo o objetivo é inverter isso, por isso não posso ser ambicioso e dizer que quero aumentar a população, eu só quero é que ela não diminua. A autarquia, felizmente, já não é o maior empregador do concelho e nós temos que incentivar as empresas a fixarem-se em Armamar.
O maior empregador é a FTD – Fumeiros Terras do Demo, ainda que não tenha a morada fiscal no concelho, mas estão aqui, são de cá e moram cá. Se amanhã aparecesse uma multinacional para fazer, por exemplo, um call center, e nós estamos a concluir o 5G no concelho todo, já que está tanto em voga o teletrabalho e o coworking, seria excelente, porque têm aqui ótimas condições, com o rio Douro a banhar os pés.
Mas para isso, precisamos de melhores acessos, daí o enfoque na ligação à A24. É a chave de tudo. Mas não depende só de nós, depende das Infraestruturas de Portugal, porque de Valdigem a Parada do Bispo, ambas do concelho de Lamego, é fácil haver uma terceira faixa para subirem duas.
Tem de haver uma sinergia que parta das entidades superiores para depois agilizarmos com outras autarquia. Se Lamego nos ajudar nesse sentido, a fazer essa pressão, seria bem vinda essa pressão. Não conseguimos fazer até à A24, mas conseguimos até Parada do Bispo, e até aí já faria toda a diferença. Vamos ver...
“Ligação à A24 abrirá caminho para as pessoas se fixarem no concelho de Armamar”
Considera que o objetivo da ligação à A24 será mais fácil de concretizar pelo facto de a autarquia partilhar a mesma cor política do Governo?
Eu penso que pode ser mais fácil, posso cometer uma inconfidência ao dizer que conheço alguns membros do Governo, dos meus tempos também passados de juventude partidária, mas não quero nenhum facilitismo, eu só quero que percebam a realidade, que é para nós essa variante.
Vemos Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva já com uma boa infraestrutura, e Armamar ficou aqui isolado, e também Tabuaço e a Pesqueira, infelizmente, e eu gostava muito que houvesse uma variante de Armamar, Tabuaço e Pesqueira, mas será sempre uma perfeita utopia, porque nunca vai acontecer face às infraestruturas e ao terreno sinuoso entre os três concelhos.
Uma ligação mais célere e condigna à A24 abrirá caminho para as pessoas se fixarem no concelho, para quem cá trabalhar e para quem trabalhe nas redondezas, porque um T3 em Armamar será sempre muito mais barato do que em Vila Real, na Régua ou Lamego. Estamos a 35 minutos de Vila Real e a 20 de Lamego.
Portanto, se Armamar vier a ser um dormitório, qual é o problema? Um jovem casal terá habitação mais barata, tem piscinas cobertas, tem infantário, tem escola, tem educação, tem atividades extracurriculares, tem ginásio, entre outros aspetos. Há um aumento de população, logo há um aumento de comércio.
Se o ginásio ou o centro de estudos, neste momento já temos dois, se o número de crianças aumentar, se a população aumentar, vai haver quatro centros de estudos, vai haver quatro ginásios, isso é natural. Acho que isto, eu sei que não é assim tão linear, mas se vendermos o nosso concelho a um valor relativamente mais baixo na habitação, é certo que as pessoas vão ver essa diferença.








