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Nova estrutura orgânica da Câmara de Resende causa polémica entre executivo e oposição

Novo executivo considera que a atual estrutura se encontra “desajustada da realidade” e pretende fazer alterações. Oposição socialista critica o aumento de 100% da folha salarial até 2029

Após doze anos de liderança socialista, com o autarca Garcez Trindade, a Câmara Municipal de Resende veste agora as cores do PSD, com Fernando Silvério a assumir o cargo de presidente.
Um dos pontos que o atual executivo pretender levar a cabo é a implementação de um novo modelo de estrutura orgânica do município, que preconiza uma reorganização profunda da estrutura administrativa, visan­do maior eficiência, agilidade e capacidade de resposta aos desafios atuais.
O executivo social democrata defende que essa alteração pretende dar resposta “às crescentes competências das autarqui­as e à diminuição de um vereador no executivo”. Reitera que a atual estrutura orgânica da câmara “é desajustada da realidade, não tem uma definição clara de competências e é incapaz de responder, com eficácia, às crescentes exigências legais, técnicas e administrativas”.

 

PS considera um escândalo os aumentos sem precedentes

A proposta foi aprovada na Assembleia Municipal de Resende, por maioria, com votos contra do PS, que se insurgiu “contra um aumento de 100% (no dobro) dos encargos com dirigentes municipais”, acarretando custos, no mandato 2025/ 2029, “na ordem dos 2,8 milhões de euros”, o que considere serem “aumentos injustificados e sem precedentes em Resende”.
Os socialistas, em comunica­do, dizem ser “um escândalo” que o PSD queira aumentar a estrutura dirigente de seis chefes de divisão para 12 lugares de dirigentes, correspondentes a três diretores de departamentos, mais sete chefes de divisão e dois chefes de unidade”, e que serão “os resendenses a pagar esta fatura de criação de lugares para os “amigos”.
O PS de Resende refere que “os custos das chefias da câma­ra sobem para 651 mil euros, quando no ano que agora termina são de 320 mil euros”, acrescentando que, “no final dos quatro anos de mandato o total dos gastos deve aproximar-se dos 2,8 milhões de euros”.
Repudiando “o tom, a forma e o conteúdo do comunidado da concelhia do PS de Resende”, a Comissão Política do PSD de Resende salienta que se trata de uma “decisão política legítima, responsável e devidamente fundamentada”.
Sustentando que “o PS de Resende prefere a manobra política à discussão séria”, reitera que os fundamentos para esta alteração da estrutura orgânica são “a transferência de competências da administração central para o município, a dimensão do município e as diversas áreas às quais tem de dar resposta, a juntar à perda de um vereador no executivo e à necessidade de impor um aumento claro de eficiência, eficácia e responsabilização do município”.
Os sociais democratas enfatizam que a nova estrutura permitirá reduzir os níveis intermédios de decisão, facilitando uma melhor coordenação estratégica, clarificar competências e redistribuir funções, alinhadas com as áreas reais de intervenção do município, aumentar a eficiência nos serviços e a eficácia na resolução, e reforçar a responsabilização e o controlo interno.

 

"PS procura explorar a ignorância"

 

“Falar apenas em “número de dirigentes”, sem referir o novo modelo de funcionamento é, apenas, procurar explorar a ignorância”, sublinha o PSD.
️Em relação aos custos inerentes a esta alteração preconizada pelo novo executivo resendense, referem que “os valores apresentados são estimativas máximas e não compromissos”, e que a nova estrutura orgânica “nãoimplica nomeações imediatas nem automáticas para todos os lugares”, dado que “parte das funções pode ser assegurada por mobilidade interna, sem acréscimo efetivo de despesa”.
A Comissão Política do PSD termina o seu comunicado a sublinhar que “os resendenses saberão distinguir entre quem atua de forma transparente, quem aposta numa administração moderna e eficaz, de quem se limita a tentar explorar a ignorância e os números descontextualizados, na esperança de daí retirar ganhos políticos de ocasião”.

Janeiro 3, 2026 . 13:30

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