
ACERT assinala meio século de criação teatral com o espetáculo “Carrossel”
A nova peça do Trigo Limpo teatro ACERT acompanha uma companhia de teatro durante a preparação da digressão do espetáculo “Carrossel”, quando um acontecimento inesperado obriga à substituição de uma atriz. A chegada da nova intérprete rouba estabilidade a uma equipa mergulhada numa rotina repetitiva e num processo criativo em desgaste, abrindo espaço para um confronto entre passado e futuro, permanência e transformação.
Mais do que um espetáculo sobre teatro, “Carrossel” assume-se como uma reflexão sobre a criação artística, a vida em comunidade e os desafios de continuar a construir coletivamente. “Este espetáculo não é só um espetáculo. É um processo de reflexão que começa no Pedro Leitão (texto) e passa pelos atores, pelo músico, por mim enquanto encenador e pelo resto das equipas criativas”, afirma o encenador Graeme Pullyen.
Construído num registo de metateatro, o teatro dentro do próprio teatro, “Carrossel” propõe várias camadas de leitura e convoca o público para a parte da experiência. “É um exercício de metateatro, é o teatro a falar de si próprio. São muitas camadas de jogo e a última camada é aquela em que nos encontramos com o público e lhe damos a oportunidade de também fazer parte, de intervir”, explica Graeme Pullyen.
O espetáculo surge integrado nas comemorações dos 50 anos da ACERT e procura refletir os valores de comunidade, participação e reinvenção que marcam o percurso da instituição. “E fazemos do teatro uma metáfora para a vida, a democracia, o sentido de comunidade, de coletivo, estes valores que a ACERT representa desde sempre”, explica o encenador.
Pensado como um espetáculo comemorativo, “Carrossel” parte precisamente do desafio de transformar meio século de criação teatral numa experiência cénica contemporânea.
Para Pompeu José, ator do espetáculo e diretor artístico da ACERT, foi esse ponto de partida que alimentou todo o processo criativo.
“50 anos de criação dá ideia que é impossível caberem num espetáculo, mas o processo de criação deste espetáculo partiu dessa dificuldade. Como é que retratamos, numa peça de teatro, 50 anos do Trigo Limpo teatro ACERT? Esse desafio tem sido muito prazeroso. Tem-nos dado muita alegria criar uma peça de teatro que ponha em reflexão o que são 50 anos de criação e, mais ainda, o que será o futuro desta quantidade de criação e que criação poderá vir a seguir”, enfatizou.
Criado enquanto um espetáculo comemorativo, mas também como um gesto de futuro, “Carrossel” assume a celebração não como nostalgia, mas como impulso de renovação. “Não é olhar para trás, é sobre recomeçar, alimentar e manter esse espírito de andar para a frente”, concluiu Graeme Pullyen.









