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Leitão Amaro vai responder sobre disparidades na contagem de imigrantes

Ministro vai responder às dúvidas apresentadas em agosto do ano passado pela IL que apontou discrepâncias de dados entre as duas instituições

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, vai responder aos deputados na quarta-feira sobre discrepâncias entre os números de imigrantes do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Num momento em que o INE ainda não divulgou as estimativas de população residente referentes a 2025, o ministro vai responder, numa audição conjunta das comissões parlamentares de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e da Reforma do Estado e Poder Local, às dúvidas apresentadas em agosto do ano passado pela IL, que apontou discrepâncias de dados entre as duas instituições, com a AIMA a apontar números da população imigrante muito mais elevados.

Para estas estimativas, o INE incorpora “dados relativos a nados-vivos e óbitos ocorridos, apurados com base na informação registada nas Conservatórias do Registo Civil e valores estimados para os fluxos migratórios” referentes ao ano anterior, refere a explicação que consta na base de dados.

Em abril do ano passado, a AIMA publicou um relatório intercalar segundo o qual Portugal registava, a 31 de dezembro de 2024, cerca de 1,6 milhões de cidadãos estrangeiros com títulos/autorizações de residência válidos, adicionando mais de um milhão de pessoas que não estavam registadas.

Mas, segundo o requerimento da IL, "em junho de 2025, o INE fixou a população residente em Portugal à data de 31 de dezembro em cerca de 10,75 milhões de pessoas, um aumento de cerca de 110 mil pessoas face à população residente no final de 2023”, muito abaixo do que é contabilizado pela AIMA apenas no que respeita aos estrangeiros.

“Aparentemente o INE não incorporou informação administrativa na posse da AIMA, por não ter sido transmitida ao INE em tempo útil nem com o detalhe informativo adequado”, adianta o documento.

No requerimento, os deputados liberais recordaram que o antigo Presidente da República "questionou a coerência entre os números da AIMA e do INE” e que esta divergência é “materialmente relevante, na medida em que afeta o cálculo de indicadores per capita, o planeamento de políticas públicas e a própria confiança da população nas estatísticas oficiais”.

“O país não pode tratar com displicência os números oficiais sobre a população nem ignorar as consequências práticas da falta de rigor desses números para a formulação de políticas públicas, pelo que o assunto interessa diretamente à Assembleia da República enquanto órgão de soberania dotado de poder legislativo”, justificam os liberais.

As discrepâncias entre os números apurados pela AIMA e os validados pelo INE já levaram a diferenças de interpretação também na União Europeia, que considerou que Portugal tinha uma população imigrante e incluiu o país na rota de acolhimento de refugiados, algo a que Lisboa se opôs.

Em entrevista à Lusa em 03 de maio, o secretário de Estado Adjunto da Presidência e da Imigração, Rui Armindo Freitas, minimizou a polémica.

“O INE tem uma tradição muito antiga em Portugal de prestar um bom serviço à sociedade portuguesa, mas nem sempre estamos todos alinhados porque as realidades também são dinâmicas e as próprias estatísticas ou a forma de medir ou os métodos podem ter de mudar conforme mudam os enquadramentos”, explicou o governante.

“A mudança de regras que Portugal teve, e que são de facto únicas no contexto europeu, colocaram alguns desafios estatísticos”, porque existiam pessoas que apresentaram pedidos e enquanto não eram atendidos não eram contabilizados, apesar de já contribuírem para a economia e para a pressão nos serviços públicos.

Por isso, a AIMA fez a atualização dos números, porque a “realidade estatística não casava com a realidade que se vivia no terreno”, explicou.

Maio 12, 2026 . 19:25

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