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Em Viseu, ergueu-se o orgulho de um país: o Exército

Com centenas de pessoas a assistir no Campo de Viriato, Viseu foi palco da cerimónia militar que encerrou as comemorações do Dia do Exército. Entre desfiles, condecorações e honras militares, a cidade-viriato tornou-se o centro do orgulho nacional e da homenagem a todos os que servem (e serviram) Portugal

Foi com centenas de pessoas reunidas no Campo de Viriato, e junto ao Multiusos de Viseu, que se encerraram as comemorações do Dia do Exército, um momento de orgulho nacional que, ao longo da última semana, envolveu a cidade-viriato em várias atividades militares e cívicas. A cerimónia, marcada por honras militares, desfiles, imposição de condecorações e discursos oficiais, contou com a presença de altas figuras do Estado, forças de segurança e representantes civis, religiosos, académicos e empresariais.

Depois de em 2024 ter sido celebrado na Guarda, o Dia do Exército regressou ao interior centro, instalando-se em Viseu com uma programação intensa. Durante toda a semana, a Expo Exército deu a conhecer ao público o vasto universo militar português — desde equipamentos de última geração até demonstrações táticas e momentos de interação com o público. Milhares de visitantes passaram pelo recinto para conhecer mais de perto uma instituição “estreitamente ligada à fundação de Portugal”.

O fim de semana marcou o auge das comemorações. No sábado, o ECO Bootcamp Militar desafiou a comunidade a testar a resistência física e o espírito de equipa num percurso de obstáculos que juntou militares e civis. Seguiu-se a cerimónia de homenagem aos mortos em campanha e a inauguração do Monumento de Homenagem do Exército à Cidade de Viseu, momentos de forte simbolismo e emoção.

Já este domingo, as atenções concentraram-se na cerimónia militar, onde centenas de militares desfilaram pelo Campo de Viriato em formações, acompanhadas por estandartes nacionais e veículos operacionais. Uma salva de tiros ecoou pelo recinto, homenageando as autoridades e assinalando o encerramento das comemorações com o peso da tradição e o orgulho da missão.

Nas alocuções oficiais, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão, destacou o “muito que já se realizou em prol do Exército”, agradecendo ao Governo, representado pelo ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e sublinhando o desejo de ver “esse compromisso mantido nos próximos anos”.

O general fez questão de agradecer também à cidade anfitriã, dirigindo-se ao presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, pela “hospitalidade e apoio que caracterizam estas gentes”.

Num discurso marcado por emoção e sentido histórico, Mendes Ferrão relembrou que “por toda a nossa história, por muitas guerras que passaram, nunca deixámos de servir o nosso Portugal”. Recordou ainda “os que tombaram, que devem ser homenageados não só hoje, mas todos os dias”, evocando “a coragem e o sentido de missão dos que lutaram no 25 de Abril para dar liberdade e democracia aos portugueses”.

“O Exército é parte viva da nação e continua próximo dos portugueses. Estamos presentes de norte a sul do país e nas ilhas — junto do povo e ao serviço do povo”, afirmou.

O general dedicou parte do discurso aos trabalhadores civis do Exército, destacando uma homenagem especial a Angélica, que durante 50 anos “vestiu o espírito do soldado sem usar farda”. Aos 88 anos, é lembrada como a responsável pelo icónico Rancho à Moda do RI14, “um prato que alimentou gerações de infantaria e a alma dos que por ali passaram”. O momento foi seguido de um forte e prolongado aplauso, que emocionou a visada.

Por sua vez, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, sublinhou o contexto desafiante que o mundo enfrenta: “Vivemos um momento complexo e sensível na história da humanidade. O mundo está hoje mais incerto, mais imprevisível, mais perigoso.”

O governante agradeceu aos militares “que diariamente protegem os portugueses, servindo a pátria e defendendo valores civilizacionais, muitas vezes em condições adversas”, garantindo que o investimento na Defesa é uma prioridade: “Não investimos em defesa apenas porque é uma exigência europeia. Fazemo-lo porque é essencial à soberania de uma nação digna.”

Segundo Nuno Melo, “mudou-se a tendência de recrutamento — hoje há mais jovens a querer entrar no Exército do que aqueles que saem”. O ministro destacou ainda o processo de reequipamento e modernização das Forças Armadas, com novos helicópteros, drones, sistemas de ciberdefesa e viaturas táticas.

Um dos momentos altos da cerimónia foi a imposição de condecorações militares, destinadas a distinguir cidadãos que se destacaram por feitos cívicos e serviços prestados ao país. Entre os agraciados, o autarca viseense Fernando Ruas recebeu a Medalha D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, 1.ª Classe, “pela sua liderança e dedicação ao serviço público”. Já o Tenente-General Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, foi igualmente distinguido “pelo seu esforço na preservação da memória e no reconhecimento de quem serviu Portugal”.

O encerramento ficou marcado pelo desfile das forças em parada e pela exibição de meios e veículos militares — uma verdadeira demonstração de resiliência, competência e modernidade. O momento final foi protagonizado por um paraquedista que, descendo do céu, exibiu a bandeira do Exército português, num gesto simbólico que arrancou aplausos do público e marcou o fim de uma semana de homenagem à instituição e ao país.

Outubro 26, 2025 . 19:30

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