
Residência artística recupera memórias de aldeia afetada pelo fogo
Rebordinho, aldeia da freguesia de Campia, no concelho de Vouzela, vai ser palco da residência artística ‘No lugar da ausência’. O projeto irá decorrer entre os dias 16 e 20 deste mês, com a participação do artista Tomás Quintais e curadoria da Binaural Nodar.
Através de um conjunto de recolhas sonoras de campo e de entrevistas com a comunidade local, o trabalho pretende, “no contraste entre a presença e a ausência de uma paisagem transformada”, evocar memórias que se perderam com o fogo.
O resultado final será apresentado a 28 novembro, pelas 15h00, através de uma instalação sonora. O ponto de encontro será na Casa dos Compartes de Rebordinho e Malhadouro.
A entrada é livre.
“Na sequência dos incêndios que têm afetado o interior do país e que, em 2017 e 2026, se alastraram à aldeia de Rebordinho, no município de Vouzela, esta instalação sonora dá continuidade a uma residência artística sobre o fogo e as ausências que este convoca nos modos de vida contemporâneos”, sublinha o artista.
“A partir do seu silêncio, é possível escutar um conjunto de gravações de campo captadas no local, que remetem para as práticas e os sons entretanto desaparecidos — sonoridades que agora regressam, como espectros, à vida da aldeia. Que sons se podiam escutar e que hoje estão condenados ao silêncio? Que sonoridades se perderam na brutalidade das chamas e apenas permanecem através da dimensão trágica da ausência? Enquanto o lugar procura assinalar outros sons e reinventa a sua paisagem acústica, os registos que demarcam o sentimento de perda atravessam a memória coletiva da aldeia, no contraste entre a presença e a ausência de uma paisagem transformada”, conclui.
Tomás Quintais é um artista sonoro e compositor de paisagens sonoras português cujo percurso tem sido orientado pela criação de instalações sonoras site-specific, dialogando frequentemente com temáticas como o tempo, o lugar e a ruína.







