
Menopausa: Governo reconhece importância e prepara novos programas
Numa resposta escrita enviada à Lusa, o Ministério da Saúde esclareceu que “estes programas visam promover uma vivência saudável da sexualidade e prevenir doenças e perturbações associadas a esta fase”.
Os programas, que estão a ser desenvolvidos pela Direção-Geral de Saúde (DGS), preveem também “o desenvolvimento de materiais de informação sobre a pré-menopausa e a pós-menopausa”, abrangendo “sintomas, práticas recomendadas e terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas adequadas a cada pessoa”.
“Estes materiais poderão apoiar também os profissionais de saúde, incluindo os da Linha SNS 24”, acrescenta o ministério da Saúde, em resposta a questões da agência Lusa sobre o facto de associações e médicos criticarem a falta de respostas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para as mulheres em menopausa e perimenopausa.
De acordo com o ministério, “este Governo reconhece a importância de uma resposta adequada e integrada às necessidades associadas à menopausa, uma fase que tem impacto na saúde, na qualidade de vida e na vida profissional de muitas mulheres”.
“Pela natureza transversal destas matérias, o ministério, em articulação com a DGS, entende que a resposta mais eficaz não passa por multiplicar instrumentos estratégicos setoriais”, explica.
A tutela considera que a resposta deve ser integrada “em estratégias e programas mais abrangentes, que garantam a coerência das políticas públicas e a continuidade dos cuidados ao longo da vida”.
Quanto à ausência de uma referência específica à menopausa na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2027, denunciada por associações, a tutela garante que “não prejudica o prosseguimento destes trabalhos”.
“As necessidades de financiamento serão definidas em função das medidas que venham a ser adotadas”, assegura.
O Ministério da Saúde garante, por outro lado, que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem “respostas assistenciais para as mulheres na menopausa e perimenopausa, tanto nos Cuidados de Saúde Primários, como nos cuidados hospitalares”.
Contactada pela Lusa, a direção executiva do SNS responde o mesmo, assinalando que, em dezembro de 2025, estavam “registadas mais de 109 mil mulheres com codificação de queixas ou sintomas associados à menopausa”.
Também confrontada com as críticas de associações e médicos sobre a falta de respostas do SNS às mulheres em perimenopausa e menopausa, o SNS esclarece que, nos cuidados de saúde primários “é assegurada a avaliação, o acompanhamento clínico e a orientação terapêutica, bem como a referenciação para cuidados especializados, sempre que necessário”.
Já ao nível hospitalar, “existem referenciações específicas de menopausa em algumas ULS [Unidade Local de Saúde]”.
Estão ainda “identificados circuitos de referenciação para consultas de Ginecologia/Obstetrícia, Endocrinologia e Urologia, entre outras, em todas as ULS, para mulheres codificadas com sintomas de menopausa”.
A direção executiva salienta que “o acompanhamento das mulheres na menopausa e perimenopausa está integrado na atividade assistencial regular do SNS, não dependendo exclusivamente da existência de consultas especificamente dedicadas a esta área”.







