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AM Lisboa saúda atuação da polícia

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou hoje um voto de saudação do PSD à atuação da polícia na Acampada pela Habitação e rejeitou o repúdio proposto pelo PAN a orientações políticas que levaram a resposta desproporcionada das forças policiais.

O voto de saudação do PSD para "reconhecer o excelente serviço prestado" pela Polícia de Segurança Pública (PSP) e pela Polícia Municipal foi aprovado com os votos contra de PCP, PAN BE PEV E LIVRE, a abstenção de PS e IL e a favor de PSD, CDS-PP e Chega (na maioria dos pontos).

Já a maior parte do voto de repúdio do PAN à "responsabilidade política do Governo nas intervenções da PSP nas acampadas" foram reprovados com os votos contra de PSD, IL, CDS-PP e Chega.

Pelo PSD, Liliana Fidalgo defendeu que "quando a desordem se impõe pela intimidação ou pelo incumprimento de determinações legítimas, não se alarga a liberdade, enfraquece-se a ordem pública que permite a todos exercer a sua liberdade".

A social-democrata considerou ainda que o polícia à paisana no Porto filmado a empunhar uma arma de fogo "é um exemplo de contenção e, sobretudo, do melhor treino que" se pode "exigir a um agente da PSP", porque "mesmo sem farda, fez-se sinalizar" e " mesmo com arma de fogo, não a apontou a ninguém".

"Este agente simboliza o que de melhor temos na PSP e incorpora tudo aquilo que hoje queremos aqui saudar", vincou.

Já pelo PAN, António Morgado Valente afirmou que "é precisamente porque as forças de segurança desempenham um papel tão importante que a sua atuação deve estar sempre sujeita aos princípios da legalidade, da proporcionalidade, da imparcialidade e do respeito pelos direitos fundamentais", considerando que os relatos de utilização desproporcionada da força, agressões denunciadas por jornalistas, dificuldades reportadas na prestação de assistência médica e ainda a exibição de uma arma de fogo por um agente à paisana, "suscitaram preocupações legítimas".

O PAN frisou que este voto não pretendia "condenar indiscriminadamente os agentes que estavam no terreno", mas sim "afirmar que numa democracia madura é legítimo e necessário escrutinar não apenas a atuação operacional, mas também as orientações e as prioridades que enquadram essas intervenções".

Pelo PS, Hugo Gaspar considerou que "a resposta tem de ser política, não policial" e desafiou o Governo a recuar na revisão da lei das rendas e o grupo municipal do PSD a retirar o voto de saudação.

"Façam este favor à PSP, o Governo já a pôs na primeira linha de um conflito social, não a ponham agora na primeira linha de um conflito político. Salvaguardar a instituição não é saudá-la num momento em que a sua atuação levantou dúvidas, isso tem outro nome: chicana política", acusou o socialista.

João Monteiro, do Livre, defendeu que o documento do PAN "retrata uma situação mais aproximada da realidade" e criticou "as entidades políticas que deram ordens para se avançar com a desmobilização dos manifestantes e retirada das tendas", considerando ainda que o voto do PSD "pretende fazer um aproveitamento político das forças de segurança, ignorando deliberadamente o que está em causa", que é a crise da habitação.

Pelo PCP, Pedro Frias afirmou que o voto do PSD representa "um verdadeiro exercício de hipocrisia", porque "os mesmos que desvalorizam há anos as justas reivindicações dos profissionais das forças de segurança são os que agora surgem apressados a saudá-los quando a sua atuação vai ao encontro das suas intenções de limitar os direitos e liberdades de quem protesta".

Raquel Coelho, do PEV, defendeu que a iniciativa do PSD "nada tem a ver com uma saudação ao trabalho" da polícia, mas sim com a "validação da violência policial que diversos manifestantes sofreram", lembrando que já existem diversas "queixas-crime contra a ação policial, nomeadamente de jornalistas".

Joana Teixeira, do BE considerou a intenção do PSD é "dar cobertura a decisões políticas erradas e contrárias ao Estado de Direito".

"O presidente da Câmara de Lisboa diz que não entrou em nenhuma destas decisões, no entanto, a Polícia Municipal e a Higiene Urbana estiveram lá para fazer a recolha das tendas, aliás, o que falta de limpeza na cidade, aparentemente, resolvia-se facilmente com uma acampada em cada bairro", ressalvou a bloquista.

Pela IL, Catarina Amaral apontou que "as manifestações trouxeram esta realidade [da crise habitacional] para o centro do debate político e fizeram bem, mas o debate desviou-se".

"Hoje discutimos polícias e manifestantes, saudações e repúdios, quando precisamos discutir a resposta que devemos a quem procura casa", lamentou a deputada liberal.

Pelo CDS-PP, Martim Borges de Freitas recusou "liminarmente o silêncio cúmplice perante a narrativa cínica e manipuladora que a esquerda e a extrema esquerda tentam uma e outra vez impor na sociedade portuguesa, a de transformar os agentes da autoridade nos vilões da nossa democracia", enquanto Margarida Bentes Penedo, do Chega, considerou que "não existe nenhuma ameaça ao Estado de Direito Democrático", além "das ameaças dos próprios campistas, que ocupam o espaço público, impedem a circulação de jornalistas, vandalizam o património e deixam a praça cheia de dejetos".

Novembro 3, 2026 . 22:15

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