
Mais de 26 mil utentes aguardavam consulta cardíaca em junho
Quase 90% das primeiras consultas para doença cardíaca excederam o tempo de espera recomendado no primeiro semestre, revelou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
Na oncologia, uma em cada três primeiras consultas ultrapassou o tempo limite, com cerca de 70% dos doentes muito prioritários a serem atendidos fora do prazo previsto.
A monitorização da ERS, relativa a janeiro a junho, indica que 89% das primeiras consultas no âmbito da doença cardíaca e 34,7% das primeiras consultas oncológicas ultrapassaram o tempo máximo recomendado. A maior taxa de incumprimento nas consultas oncológicas verificou-se nos doentes classificados como muito prioritários, cujo prazo para consulta é de sete dias, com 69,2% destes casos a excederem o tempo previsto.
O relatório da ERS baseou-se em 10.301 primeiras consultas oncológicas e 24.853 primeiras consultas no âmbito da doença cardíaca. A entidade explicou que, devido a alterações legislativas em abril, que alargaram o Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) de 15 para 30 dias para casos prioritários, não existem dados comparativos diretos com o período homólogo anterior.
Nas 8.372 consultas oncológicas contabilizadas após a alteração, 34,7% ultrapassaram o tempo de espera. Nos doentes prioritários, a proporção de incumprimento diminuiu com a alteração da portaria, mas manteve-se elevada nos muito prioritários, com 70,7% antes e 67,7% depois da nova portaria a serem atendidos fora do prazo.
Foram analisadas ainda 1.929 primeiras consultas oncológicas realizadas a partir de 2 de abril, cujo nível de prioridade normal deixou de estar previsto na nova portaria. Destas, 672 tinham sido inscritas na lista de espera antes da publicação da portaria e, aplicando os prazos antigos, 79,6% foram atendidas depois do tempo recomendado.
A 30 de junho, esperavam pela primeira consulta de oncologia 5.631 utentes, dos quais 2.551 tinham prioridade normal, categoria não contemplada na nova portaria. Entre os utentes sujeitos às novas regras, 52% aguardavam além do tempo recomendado, sendo que a proporção de incumprimento era maior entre os muito prioritários.
No âmbito da doença cardíaca, foram identificadas 9.686 primeiras consultas realizadas após 2 de abril com prioridade normal, não prevista nas novas regras, e analisadas separadamente.
Excluindo essas consultas, 89% das restantes foram realizadas além do tempo máximo recomendado, com o incumprimento mais elevado nos hospitais públicos.
A ERS esclareceu que a redução da percentagem de incumprimento para os utentes prioritários deve ser interpretada tendo em conta o alargamento do tempo de espera de 15 para 30 dias.
A 30 de junho, aguardavam primeira consulta para doença cardíaca 26.535 utentes, dos quais 21.850 tinham prioridade normal não contemplada na nova portaria. Dos 4.685 utentes a que se aplicavam as novas regras, 65,8% ultrapassavam o tempo recomendado, com maior proporção entre os muito prioritários.







