
E se a inteligência artificial conseguisse antecipar as necessidades da população de Viseu Dão Lafões?
E se a inteligência artificial conseguisse perceber onde se concentra o maior fluxo de pessoas, identificar as zonas onde se produzem mais resíduos ou analisar as transações realizadas com cartões bancários num território durante um determinado evento? Estes dados podem ajudar a compreender a dinâmica de um território, avaliar o impacto de grandes acontecimentos e antecipar necessidades, desde a mobilidade à gestão dos serviços públicos.
O que parece uma visão do futuro começa já a ganhar forma na região, com a plataforma SMART REGION Viseu Dão Lafões, uma estratégia que pretende transformar dados em decisões mais informadas e melhorar a qualidade de vida de quem vive e visita o território.
O projeto foi hoje apresentado pelo secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho, durante o primeiro SMART REGION SUMMIT Viseu Dão Lafões, que decorreu no Montebelo Viseu Congress Hotel. A iniciativa reuniu representantes institucionais, especialistas nacionais e internacionais, empresas e, claro, academia para debater o papel dos dados e da inteligência artificial na transformação dos territórios e na definição de políticas públicas.

Este “desafio” resulta de um percurso de transformação digital iniciado há mais de uma década, com o objetivo de modernizar os serviços públicos dos 14 municípios. O trabalho começou pela atualização dos sistemas informáticos, digitalização de processos administrativos e disponibilização de serviços online a cidadãos e empresas.
Agora, a ambição é ir mais longe, com duas plataformas complementares: a Plataforma Intermunicipal de Conhecimento, que reunirá e cruzará informação sobre a economia, a sociedade, o ambiente, a mobilidade e a qualidade de vida, e a Plataforma de Gestão Urbana, orientada para áreas como os resíduos, a água e o saneamento, a iluminação pública, a energia e os espaços verdes.
"Um território inteligente é aquele que conhece as pessoas que nele vivem e que usa esse conhecimento para servir melhor e ter melhor qualidade de vida", afirmou Nuno Martinho. A ideia é, frisou o responsável, transformar informação dispersa em ferramentas de apoio a autarcas e técnicos, permitindo aos municípios compreender melhor as necessidades do território e melhorar a resposta aos cidadãos.
"Colocar o serviço do cidadão" no centro da transformação e "resolver o problema das pessoas" são os objetivos centrais da estratégia.
“Um território inteligente é aquele que conhece as pessoas e que usa esse conhecimento para ter melhor qualidade de vida”
Imagine-se a Feira de São Mateus: de onde chegam os visitantes e quanto movimentam os negócios da região? Com a análise das transações bancárias, a plataforma ajuda a responder a estas perguntas. O mesmo acontece com a mobilidade: os dados permitem perceber onde se formam filas de trânsito, quais os percursos mais congestionados ou quantas pessoas utilizam o transporte flexível.
Também é possível acompanhar os consumos de energia dos municípios e perceber se os habitantes têm acesso fácil a serviços como escolas e centros de saúde. São exemplos de como a informação, quando cruzada, pode ajudar os autarcas a conhecer melhor o território e a decidir onde e como devem atuar.
O secretário executivo recordou ainda que a CIM já deu os primeiros passos nesta área com projetos em áreas como a prevenção de incêndios rurais, através da plataforma Vigia, a avaliação do estado dos pavimentos rodoviários, a análise dos padrões de mobilidade e a telemonitorização 5G de doentes crónicos.

Tecnologia e inovação ao serviço dos cidadãos
Mas para que os dados se transformem em melhores decisões, é preciso que as autarquias tenham ferramentas para os interpretar e capacidade para agir em tempo útil. Foi precisamente essa necessidade que João Azevedo, presidente da Câmara de Viseu e da CIM Viseu Dão Lafões, destacou na sessão de abertura.
"Precisamos de ferramentas para que o cidadão se sinta mais confiante e perceba que o poder local reage rapidamente à sua necessidade", afirmou, defendendo que o acesso à informação e a articulação entre serviços são essenciais para acelerar procedimentos e melhorar a resposta das autarquias.
Por sua vez, o secretário de Estado da Digitalização, Bernardo Correia, destacou o trabalho desenvolvido por Viseu Dão Lafões, considerando que a região já tinha dado passos importantes na utilização de dados para melhorar a gestão do território, mesmo antes do lançamento da Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes.
O governante defendeu que a modernização da administração pública exige mais do que digitalizar procedimentos: é necessário simplificar processos, tornar os serviços mais ágeis e aproveitar melhor a informação disponível. "O que nós precisamos é de simplificar o processo como um todo", afirmou.






