
Governante diz ser inadmissível polícia obrigatória no desporto de formação
“É inadmissível que tenhamos de ter forças de segurança em eventos desportivos de crianças e formandos até 15, 16 anos, sob pena de não se realizarem. Não podemos conceber isto”, afirmou o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.
O governante falava no último painel da quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que terminou hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência o Desporto (APCVD).
“Se um conjunto da sociedade não se consegue comportar em instalações, não devem ser, no meu ponto de vista, as forças de segurança a resolver isso”, sublinhou.
No seu entender, “é um problema muito sério” e a solução tem de passar por todos.
“Temos um problema sério de educação que tem reflexos nas infraestruturas desportivas e temos de ser todos juntos, em comunidade, com o governo, as autarquias, os clubes, os promotores de eventos, as associações, escolas”, reforçou.
Pedro Dias defendeu ainda que a sociedade “não pode continuar a aceitar” que isso aconteça, nomeadamente na formação, em que os pais e familiares “não se podem esquecer que são o exemplo que as crianças e jovens vão refletir no recinto” desportivo.
“Essas mensagens transmitem-se naturalmente, os controlos, os comportamentos de quem assiste de quem participa. Muitas das vezes dos familiares que, naturalmente, depois são reflexo para quem está a praticar. Se o exemplo é aquele, não podemos esperar comportamentos muito diferentes dentro de campo”, reforçou.
Pedro Dias realçou que Portugal tem dado “um salto qualitativo muito grande e tem sido referência a vários níveis e em termos internacionais” no que diz respeito a “boas práticas, e depois, as crianças, em formação, estão com comportamentos diferentes”.
“Não podemos aceitar isto”, vincou.
O painel de encerramento do congresso “Dos grandes palcos aos recintos locais: uma responsabilidade partilhada”, contou também com a presença do presidente da Associação nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Pedro Pimpão, também presidente da Câmara de Pombal.
Pedro Pimpão corroborou com as palavras do governante e acrescentou que “é uma questão nacional, transversal e todas as cidades do país” e que a sociedade “tem que crescer” e ter “cultura e literacia também na área da prevenção e segurança, que também começa em casa”.







