
Capitania do Douro e APDL estudam método para retirar batelão abandonado em Cinfães
A decisão surge depois de na terça-feira o Ministério Público ter arquivado o inquérito resultante da queixa da Autoridade Marítima Nacional (AMN) por “não existirem indícios suficientes da prática deste ilícito”, ou seja, de abandono da embarcação.
O batelão Plutão encontra-se no mesmo local há nove anos, no quilómetro 57,2 da Via Navegável do Douro, freguesia de Espadanedo, no concelho de Cinfães, distrito de Viseu.
Em resposta à decisão do MP à queixa apresentada pela AMN em março, no Tribunal de Cinfães, o comandante adjunto da Capitania do Douro, Pedro Cervaens, explicou que as duas entidades vão “procurar a forma administrativa de retirar a draga do local”.
Questionado se havia uma estimativa de quando é que isso poderá acontecer, o responsável da capitania não se comprometeu com datas, explicando que a solução passa por duas alternativas operacionais, com custos inerentes.
“Uma das soluções é o desmantelamento, no local onde se encontra, da draga, e a outra é torna-la navegável e retirá-la do local”, explicou Pedro Cervaens, revelando que esta situação “já está a ser pensada há alguns meses”.
Sobre os custos da operação, admitiu que “poderão ficar a cargo do Estado português”, que, “posteriormente, poderá exigir a restituição dos valores à empresa detentora da draga”, a Sociedade de Extração de Agregados (EPA).
Em fevereiro, quando a situação foi denunciada, o diretor de operações da empresa proprietária do batelão, David Gomes, revelou à Lusa que, no decurso da primavera, a embarcação seria recuperada, após o que seguiria para o rio Tejo para voltar a trabalhar na extração de areia.
O anterior proprietário do Plutão, Filipe Silva, confirmou à Lusa, em 20 de fevereiro, tratar-se de um barco que esteve na extração de areia no rio Douro, atividade que acabou anos depois da queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, a 04 de março de 2001.
Então propriedade da empresa Fafstone, o batelão manteve atividade “até 2009 ou 2010 e depois parou completamente”, disse.
“O barco foi vendido há cerca de nove anos à EPA e sei que depois eles fizeram todas as preparações, pois precisava de certificados e só os poderia obter com as necessárias reparações feitas, mas, por motivos que não entendemos, depois disso o novo proprietário não levou o barco”, acrescentou, à data, Filipe Silva.







