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À conversa sobre “o valor da verdade no mundo contemporâneo” com Clara Almeida Santos

Clara Almeida Santos é professora auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC) e Provedora do Telespectador da RTP.

A docente participou no ciclo de conversas com cientistas Pontos nos iii, promovido pelo UC Exploratório - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra em parceria com o III UC, com o tema “A verdade ainda (se) conta?”.

Ao longo da sua carreira na investigação, a que áreas se tem dedicado?
Ao longo do meu percurso académico e de investigação em Ciências da Comunicação, já passei por diferentes áreas nas Ciências da Comunicação. Comecei por me dedicar às representações mediáticas, ou seja, como as narrativas dos meios de comunicação social constroem a perceção pública e representam questões sociais, nomeadamente no caso das mulheres, dos imigrantes e das minorias étnicas. Foi esse o foco dos primeiros projetos de investigação em que participei, da minha dissertação de mestrado (Imagens de mulheres imigrantes na imprensa portuguesa) e na tese de doutoramento (Tornar-se segunda geração: o estranho caso do “arrastão de Carcavelos”).
O interesse pelos media digitais e pelas consequências da transição digital nos processos comunicativos conduziu-me depois para questões relacionadas com a reconfiguração dos géneros jornalísticos e daí para o fact-checking e desordens informativas. A questão da construção das narrativas continua sempre presente, nomeadamente no estudo da forma como a informação é estruturada e comunicada em diferentes plataformas para criar sentido e envolver os públicos.
A pandemia levou a dois caminhos de investigação: a desinformação em saúde e as estratégias para a combater e as práticas religiosas digitais.
Mais recentemente e a reboque da participação no Livro Bran­co para o serviço público de média, tenho desenvolvido trabalho sobre os media públicos.

Que investigação se encontra a desenvolver neste momento?
O projeto mais desenvolvido neste momento – e que mais interessa para os Pontos nos iii – é sobre fact-checking em contexto político, sobretudo durante as campanhas eleitorais.

Quais os objetivos dessa investigação?
O projeto pretende fazer uma análise abrangente do fact-checking produzido durante os atos eleitorais em Portugal entre 2019 e 2026 (um total de onze), período marcado por forte polarização política, crescimento das plataformas digitais e intensificação dos fenómenos de desinformação. O objetivo central é compreender como se faz fact‑checking, quem o faz, que critérios são mobilizados e que efeitos produz nas perceções e decisões dos eleitores.

Qual o impacto ou a aplicação mais prática que a investigação que desenvolve nes­te momento pode ter para a sociedade?
A aplicação mais prática será a proposta de recomendações para fortalecer práticas de verificação e transparência editorial que possam melhorar a qualidade da democracia e do debate público através do combate à desinformação.

Na próxima quarta-feira, vai participar no programa de conversas com cientistas Pontos nos iii, promovido pelo UC Exploratório, com o tema “A verdade ainda (se) conta?”. O que é que o público pode esperar desta sessão?
Espero que seja uma conversa informal e provocatória sobre o valor da verdade no mundo contemporâneo, marcado pela aceleração constante e pela disputa pela nossa atenção. Entre informação, emoções e crenças e pós-verdade, vamos questionar aquilo que tomamos como certo para refletir sobre o poder da comunicação na forma como compreendemos a realidade. Basicamente, pensar sobre a verdade, o que pensamos que é a verdade e como coisas que não são verdade acabam por ser verdadeiras nas suas consequências.

Veja a entrevista

Outubro 28, 2026 . 08:06

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